Tecnologia com IA gera até R$ 9 milhões por ano em ganhos industriais no setor sucroenergético

Uma tecnologia inédita no setor sucroenergético, que combina sensores avançados e inteligência artificial, passou a gerar ganhos diretos de até R$ 9 milhões/ano no processo industrial de usinas de cana-de-açúcar. Desenvolvida pela ITC, sediada em Piracicaba (SP), a solução já apresenta resultados comprovados em operação comercial e promete elevar eficiência, rentabilidade e sustentabilidade no setor.

De acordo com simulações, em uma usina típica com moagem de 3,8 milhões de toneladas de cana por safra, a tecnologia gera um ganho superior a R$ 3,07 por tonelada processada, sem aumento de equipe ou estrutura operacional. Além do impacto financeiro, o sistema permite uma economia estimada de 2 milhões de metros cúbicos de água por safra e um aumento significativo no EBITDA anual.

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Batizado de projeto MM.IA (Monitoring Mills com Inteligência Artificial), o sistema combina sensores de espectroscopia de infravermelho próximo (NIR) instalados on-line nas linhas de produção com algoritmos de aprendizado de máquina. A tecnologia monitora parâmetros como fibra, brix, pol, pureza, pH e impurezas, ajustando automaticamente as variáveis do processo industrial a cada segundo, de acordo com a qualidade da cana processada, sem necessidade de intervenção humana.

Segundo o engenheiro químico Jaime Finguerut, pesquisador e diretor técnico do ITC, o diferencial está na tomada de decisão em tempo real.

“O setor sempre trabalhou com dados laboratoriais coletados a cada quatro horas. Agora, a usina passa a ter uma fotografia do processo a cada segundo, e a inteligência artificial transforma isso em decisões imediatas para maximizar a eficiência e reduzir perdas”, explica.

Os ganhos operacionais incluem aumentos médios de até 0,5% na extração e 0,5% na fermentação, percentuais que, são suficientes para garantir o retorno do investimento já no primeiro ano de operação. O desenvolvimento da tecnologia envolveu investimentos de aproximadamente R$ 11 milhões ao longo de cinco anos, incluindo recursos da FAPESP, aportes de investidores privados e capital próprio.

A Usina São Manoel, localizada em São Manuel (SP), foi a primeira a adotar o sistema de forma integral. Na safra 2024/25, a unidade processou cerca de 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e registrou um crescimento de 127% no lucro líquido em relação à safra anterior. Os resultados são atribuídos, entre outros fatores, à adoção da nova tecnologia, que proporcionou maior rendimento por tonelada, redução de custos operacionais e otimização energética.

Além dos ganhos financeiros, o uso da inteligência artificial trouxe benefícios indiretos, como maior estabilidade dos processos, antecipação de falhas e manutenção preventiva mais eficiente. Para Wokimar Teixeira Garcia, um dos criadores do sistema, a tecnologia amplia a capacidade das equipes. “A IA não substitui operadores ou gestores, mas antecipa problemas e sugere ações preventivas antes que ocorram perdas”, afirma.

Segundo Finguerut, a adoção de soluções digitais será decisiva em um cenário de maior competição e margens pressionadas no setor. “As usinas que se anteciparem à transformação digital serão protagonistas da nova bioeconomia. Em um ciclo de preços reduzidos e maior concorrência, só a eficiência global com gestão inteligente do processo permitirá atravessar essa fase”, conclui.

Autor

  • Rowena Romagnoli

    22 anos de existência. Diretora das editorias de economia e tecnologia do portal Ponto360. Graduanda em jornalismo pela Estácio de Sá, atuando -também- em assessoria de imprensa há pouco mais de 1 ano.

    Apaixonada por tudo aquilo que traz felicidade à mente e ao corpo. Nas horas vagas, mãe de um lindo gato preto.

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