A robótica educacional passou a ocupar um espaço estratégico na Educação Básica brasileira após a consolidação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a inclusão da computação como eixo estruturante do ensino. O movimento altera a percepção da robótica nas escolas, que deixa de ser uma atividade pontual ou complementar e passa a integrar diretamente o desenvolvimento de habilidades essenciais previstas no currículo.
Segundo Alex Paiva, head do Educacional, unidade de negócios da Positivo Tecnologia, a robótica agora dialoga diretamente com as competências exigidas em cada etapa de ensino, tornando-se parte do processo pedagógico regular. “Ela deixa de ser vista como algo restrito ao contraturno e passa a dialogar com habilidades essenciais do currículo”, afirma.
LEIA TAMBÉM: Pesquisa brasileira com Inteligência Artificial quer antecipar diagnóstico de transtornos mentais na rede pública
De acordo com Paiva, soluções como kits LEGO® Education, Arduino e Micro:bit transformam a tecnologia em uma linguagem educacional, permitindo que as escolas adotem sequências didáticas integradas. Nessas práticas, os alunos investigam problemas reais, desenvolvem protótipos, programam soluções e comunicam resultados, sempre em alinhamento às diretrizes da BNCC.
Esse modelo favorece experiências interdisciplinares, nas quais disciplinas como Ciências, Matemática e Língua Portuguesa se conectam por meio de projetos práticos. Conceitos como energia, movimento, proporções, medidas, raciocínio lógico e comunicação oral e escrita passam a ser trabalhados de forma aplicada, tornando a robótica uma estratégia pedagógica estruturante, e não apenas um recurso adicional.
Outro ponto destacado é o impacto no desenvolvimento socioemocional dos estudantes. O aprendizado em robótica envolve ciclos constantes de tentativa e erro, o que contribui para o fortalecimento do autoconhecimento, da resiliência e da tolerância à frustração, habilidades cada vez mais valorizadas no ambiente educacional.
Para que esse potencial seja efetivo, o papel do professor é central. Mais do que dominar as ferramentas tecnológicas, o educador atua como mediador do processo, propondo metodologias ativas, desafios conectados à realidade dos alunos e espaços de reflexão, ampliando o foco para além do resultado técnico.
“Quando a robótica é bem conduzida, ela se transforma em um verdadeiro laboratório de desenvolvimento humano”, conclui Paiva.









