Pesquisa brasileira com Inteligência Artificial quer antecipar diagnóstico de transtornos mentais na rede pública

A Universidade de Rio Verde (UniRV) está à frente de um projeto de pesquisa aplicada que utiliza inteligência artificial (IA) para a detecção precoce de transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão leve, com foco no fortalecimento das políticas públicas de saúde em Goiás. A iniciativa surge em um cenário preocupante: quase 20% da população adulta brasileira convive com algum transtorno mental, e o país registrou, em 2024, o maior número de afastamentos do trabalho por questões psíquicas da última década.

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Intitulado “Análise Preditiva de Transtornos Mentais Comuns”, o projeto propõe o desenvolvimento de um modelo computacional capaz de antecipar diagnósticos, reduzindo o subdiagnóstico e permitindo intervenções antes do agravamento dos quadros clínicos. A força-tarefa reúne pesquisadores das áreas de ciência de dados, saúde pública e tecnologia, além de acadêmicos da UniRV e colaboração internacional com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Segundo os coordenadores do estudo, o principal desafio enfrentado hoje é que muitos transtornos mentais só são identificados quando o paciente já apresenta comprometimento significativo da capacidade laboral e social. A proposta do projeto é inverter essa lógica, utilizando ferramentas tecnológicas para apoiar decisões clínicas e orientar a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS).

Do ponto de vista técnico, a pesquisa prevê o uso de algoritmos avançados de Machine Learning, como Random Forest e Redes Neurais, além de recursos de IA explicável (SHAP), que permitem aos profissionais de saúde compreenderem os motivos que levaram o sistema a emitir determinado alerta. Os dados analisados incluem informações clínicas e sociodemográficas coletadas na rede pública, garantindo ética, transparência e segurança clínica.

Com cronograma de 18 meses, o projeto contempla a coleta de dados em campo, capacitação de profissionais da saúde e o registro do software no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A iniciativa está alinhada a uma chamada pública da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG).

Autor

  • Rowena Romagnoli

    22 anos de existência. Diretora das editorias de economia e tecnologia do portal Ponto360. Graduanda em jornalismo pela Estácio de Sá, atuando -também- em assessoria de imprensa há pouco mais de 1 ano.

    Apaixonada por tudo aquilo que traz felicidade à mente e ao corpo. Nas horas vagas, mãe de um lindo gato preto.

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