9 tendências de IA que vão redefinir negócios, trabalho e poder global até 2026

A inteligência artificial deixou definitivamente a fase experimental e caminha para se consolidar como infraestrutura estratégica central das organizações a partir de 2026. A avaliação é da especialista em IA aplicada aos negócios Victoria Luz, com base em relatórios institucionais e publicações acadêmicas de referência internacional. Segundo ela, a próxima fase da IA será marcada por escala, integração total aos processos críticos, impactos estruturais no trabalho e intensificação da disputa geopolítica pelo domínio da tecnologia.

Dados do Stanford AI Index Report 2025 indicam que 78% das empresas já utilizam IA em ao menos uma função de negócio, um salto significativo frente aos 55% registrados em 2023. Para Victoria, isso muda completamente o centro da discussão. A pergunta deixa de ser se a empresa deve usar IA e passa a ser como escalar, governar e extrair valor sustentável dessas aplicações, explica. A IA, segundo a especialista, passa a ocupar o mesmo patamar de outras infraestruturas críticas, como energia, dados e conectividade.

Outro movimento estrutural destacado é a queda acelerada dos custos e o aumento expressivo da eficiência dos modelos. O custo de inferência de modelos de linguagem caiu de cerca de US$ 20 por milhão de tokens em 2022 para aproximadamente US$ 0,07 em 2024, tornando a tecnologia acessível inclusive para pequenas e médias empresas. Esse avanço técnico reduz a dependência de investimentos massivos em infraestrutura e amplia o uso da IA em larga escala.

No cenário global, a corrida geopolítica pela liderança em IA se intensifica. Embora os Estados Unidos ainda liderem no desenvolvimento de modelos de ponta, a China avança rapidamente, superando os norte-americanos em volume de publicações científicas e registros de patentes. Esse embate deve ganhar ainda mais força em 2026, com reflexos diretos em políticas industriais, controle de dados, exportação de hardware avançado e regulação internacional.

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A evolução dos sistemas também aponta para o avanço da IA autônoma e dos agentes inteligentes, capazes de executar tarefas complexas com menor intervenção humana. Esses agentes já começam a assumir funções como coordenação de processos internos, atendimento ao cliente de ponta a ponta e automação de fluxos operacionais, exigindo novos modelos de governança e supervisão humana para mitigar riscos.

O impacto no mercado de trabalho aparece como um dos eixos mais sensíveis dessa transformação. Dados do World Economic Forum indicam que mais de 40% das habilidades demandadas atualmente devem mudar até o fim da década, impulsionadas principalmente por automação e IA. Para Victoria, o desafio vai além da tecnologia. A questão central será organizacional e educacional, exigindo requalificação contínua e novos modelos de gestão, afirma.

Na área da saúde, a IA avança com validação clínica crescente. O número de dispositivos médicos habilitados por inteligência artificial aprovados por órgãos reguladores já ultrapassa 200 nos Estados Unidos, com aplicações em diagnóstico por imagem, triagem clínica, gestão hospitalar e descoberta de medicamentos. A tendência para 2026 é de maior rigor científico e integração regulatória.

Ao mesmo tempo, cresce a pressão regulatória. O número de incidentes envolvendo falhas ou usos indevidos de IA bateu recorde histórico, com crescimento anual superior a 50%, segundo o Stanford AI Index. Esse cenário acelera a criação de leis, diretrizes e estruturas de governança, especialmente na União Europeia, nos Estados Unidos e em economias asiáticas.

Outro ponto crítico é a infraestrutura e a sustentabilidade. Data centers especializados em IA estão entre os maiores consumidores de energia elétrica, levantando alertas ambientais e econômicos. Para 2026, a expectativa é de modelos mais eficientes, otimização de hardware e maior uso de fontes de energia limpa para sustentar o crescimento da tecnologia.

Por fim, a especialista destaca que a IA tende a se tornar cada vez mais onipresente e invisível, integrada ao funcionamento padrão de sistemas digitais, desde recomendações até serviços públicos. Esse movimento reforça a necessidade de transparência, explicabilidade e educação da sociedade sobre decisões automatizadas.

Para Victoria Luz, o futuro da inteligência artificial será definido por três grandes eixos centrais: escala e integração total nos negócios, avanço técnico com redução de custos e crescente necessidade de governança, ética e regulação. O sucesso com IA não dependerá apenas da tecnologia, mas da capacidade de alinhar inovação, pessoas e responsabilidade, conclui.

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