A saúde mental na terceira idade tem se tornado um tema cada vez mais urgente diante do envelhecimento da população e dos desafios emocionais que surgem após os 60 anos. Fatores como aposentadoria, solidão, perdas afetivas e mudanças no papel social podem impactar diretamente o bem-estar psicológico dos idosos e comprometer a qualidade de vida, alertam especialistas.
Segundo o psicólogo Alexsandro Prates, docente de Psicologia da Faculdade Serra Dourada Altamira, o processo de envelhecimento envolve transformações profundas que exigem constante adaptação emocional. “O envelhecimento é marcado por mudanças significativas que podem gerar insegurança, medo da dependência e ansiedade em relação à finitude da vida”, explica. De acordo com ele, essas experiências vão além das perdas físicas e exigem que o idoso ressignifique sua identidade e seus vínculos.
A aposentadoria, embora represente uma conquista social, também pode funcionar como um fator de risco emocional. “Ela pode provocar a perda do papel produtivo, da rotina e do reconhecimento social, afetando a autoestima e o senso de utilidade”, afirma Prates. Quando essas mudanças não são bem elaboradas, o sofrimento tende a se intensificar e pode evoluir para quadros mais graves de adoecimento emocional.
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Outro elemento que merece atenção é a solidão, frequentemente associada à redução da rede de apoio, ao afastamento de vínculos sociais e ao preconceito relacionado ao envelhecimento. “Esses fatores, quando combinados, aumentam significativamente a vulnerabilidade a transtornos como depressão e ansiedade na terceira idade”, destaca o psicólogo.
Apesar da relevância do tema, a saúde mental na velhice ainda enfrenta tabus culturais. Muitos sintomas emocionais são interpretados como parte natural do envelhecimento, o que dificulta o reconhecimento do problema. Familiares e cuidadores devem ficar atentos a sinais como tristeza persistente, isolamento progressivo, alterações no sono e no apetite, perda de interesse por atividades antes prazerosas, irritabilidade frequente e queixas físicas sem causa aparente.
A prevenção passa pelo fortalecimento da autonomia e das relações sociais. Estimular o protagonismo do idoso, respeitar sua capacidade de decisão e evitar a superproteção são atitudes essenciais. A participação em atividades comunitárias, culturais, religiosas ou esportivas também contribui para reduzir o isolamento e ampliar o sentimento de pertencimento.
“Cuidar da saúde mental na terceira idade é garantir dignidade, escuta e respeito. Envelhecer emocionalmente bem não significa ausência de sofrimento, mas a capacidade de enfrentar desafios, adaptar-se às mudanças e construir novos sentidos para a vida”, conclui o psicólogo.









