Um levantamento com mais de 18 mil respondentes mostra que a saúde mental e física dos trabalhadores brasileiros apresenta avanços importantes, mas revela que sono, estresse financeiro e condições de trabalho seguem como fatores críticos para o adoecimento e a queda de produtividade. A pesquisa analisou múltiplas dimensões do bem-estar e aponta um cenário ambíguo entre evolução dos indicadores e gargalos estruturais ainda não resolvidos.
O estudo avaliou cinco pilares do bem-estar: mental, físico, social, financeiro e trabalho e registrou os melhores índices nos quesitos Trabalho (8,2), Saúde Mental (7,9) e Saúde Física (7,6). Em contrapartida, o pilar financeiro aparece como o mais crítico, com pontuação média de 4,4, seguido pelo social (6,3), indicando maior vulnerabilidade nessas áreas.
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Para Gustavo Drago, CEO da Becare.app, os dados mostram que oferecer benefícios não garante, por si só, cuidado efetivo em saúde.
“Quando o cuidado não se conecta com o que impacta o dia a dia, como sono, dinheiro e estresse, a adesão cai e o risco aumenta”, afirma.
Entre todos os fatores analisados, a qualidade do sono se destaca como um dos principais elementos de proteção à saúde mental. Na população geral, 11,5% apresentam sintomas depressivos, percentual que cai para 5,2% entre aqueles que dormem bem. O mesmo padrão aparece no estresse: 17,7% relatam níveis elevados, índice que cai para 9,4% entre quem tem boa qualidade de sono.
A pesquisa também identificou uma forte associação entre comportamentos de risco, sono ruim e estresse elevado. Entre pessoas sedentárias, 55% relatam sono ruim e 32% estresse muito alto, quase o dobro da média geral. Entre fumantes, 46% apresentam má qualidade do sono, enquanto no grupo com consumo excessivo de álcool, 60% dormem mal e 37% registram níveis críticos de estresse.
Outro dado que chama atenção é que 21% da população está em risco ou já apresenta algum nível de adoecimento em saúde mental, sendo 63% mulheres. Casos de ideação suicida representam 2,6% da amostra e concentram indicadores de alta vulnerabilidade, como sono ruim, dificuldades financeiras, maior consumo de álcool e desconexão social. Para Drago, esse quadro reflete um acúmulo de fragilidades. “Quando dimensões sociais, financeiras, emocionais e comportamentais se deterioram juntas, o risco se intensifica”, alerta.
A ansiedade aparece como o transtorno mais prevalente: 52,6% relatam sintomas ansiosos, contra 11,5% com sintomas depressivos. Apesar disso, o acesso ao cuidado segue limitado: 67,1% dos ansiosos não fazem psicoterapia e apenas 20% têm acompanhamento psiquiátrico, o que reforça o impacto direto sobre desempenho, clima organizacional e absenteísmo.
No ambiente de trabalho, 34,4% dos respondentes lidam com tarefas emocionalmente exigentes, especialmente em contextos de alta demanda, gestão de mudanças e baixo controle sobre as próprias atividades, combinação reconhecida como fator de risco para estresse crônico e adoecimento mental.
Para o CEO da Becare.app, o levantamento reforça que saúde corporativa eficaz exige estratégias baseadas em dados e integração entre as diferentes dimensões do bem-estar.
“O cuidado só funciona quando as pessoas conseguem usar. Quando a empresa olha para sono, trabalho, dinheiro e saúde mental de forma conectada, o impacto aparece no bem-estar, na produtividade e na sustentabilidade do negócio”, conclui.









