Um levantamento nacional revela um cenário preocupante para a saúde da pele no Brasil: 54% dos brasileiros nunca foram ao dermatologista, segundo pesquisa realizada pelo Instituto DataFolha com mais de 2 mil pessoas em todo o país. O dado ganha ainda mais relevância em um contexto de avanço das doenças dermatológicas e do crescimento de tecnologias capazes de identificar predisposições genéticas e antecipar diagnósticos, como o sequenciamento do genoma.
O estudo, divulgado em 2025 pela L’Oréal em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, evidencia desigualdades no acesso ao cuidado dermatológico, especialmente entre homens, pessoas negras e indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Apesar disso, a maioria dos entrevistados reconhece que problemas de pele não se resolvem sozinhos, reforçando a importância de estratégias mais assertivas de prevenção e diagnóstico precoce.
LEIA TAMBÉM: Carnaval exige atenção ao corpo e eleva risco de lesões ortopédicas, alerta especialista
Nesse cenário, o sequenciamento genético tem se consolidado como uma ferramenta central na medicina dermatológica. A tecnologia permite analisar genes associados a doenças de pele e câncer, possibilitando a personalização de protocolos clínicos. A análise por NGS (next generation sequencing) identifica desde pequenas alterações genéticas até variantes estruturais complexas, ampliando a precisão na avaliação de riscos.
“O gene CDKN2A, quando apresenta variantes patogênicas, aumenta significativamente o risco de melanoma. Um indivíduo com essa mutação possui cerca de 50% de chance de desenvolver a doença ao longo da vida”, explica Cristovam Scapulatempo Neto, diretor médico de Patologia e Genética da Dasa Genômica.
Segundo ele, a identificação precoce permite a criação de cronogramas de rastreamento mais rigorosos, elevando as chances de prevenção e detecção antecipada.
Além do melanoma, a genética também auxilia no diagnóstico de condições raras, como a Síndrome de Gorlin, causada principalmente por mutações no gene PTCH1, que tornam o paciente altamente propenso ao desenvolvimento de carcinoma basocelular, o tumor de pele mais comum no mundo. Nessas situações, o diagnóstico genético é decisivo para iniciar o acompanhamento em idades mais jovens, algo incomum nos cânceres de pele tradicionais.
“A genética permite abordagens mais precisas de prevenção, especialmente na identificação de pacientes com alto risco para doenças como o melanoma”, afirma Luísa Juliatto, médica coordenadora do Núcleo de Dermatologia do Alta Diagnósticos.
Segundo a especialista, testes genéticos hereditários são indicados, por exemplo, quando há histórico familiar de três ou mais casos da doença, possibilitando o mapeamento de risco em núcleos familiares inteiros.
O crescimento de núcleos especializados em dermatologia no Brasil acompanha esse avanço. Estruturas integradas reúnem exames de imagem, procedimentos diagnósticos e terapêuticos, além de recursos genéticos, para atender áreas como dermatologia clínica e cirúrgica, cosmiatria, oncologia cutânea e tricologia.
“O cuidado integrado, aliado à genética, permite não apenas tratar a doença, mas antecipar riscos e mudar a trajetória de saúde do paciente”, conclui a especialista.









