A Inteligência Artificial ingressou no mundo dos cegos e se visualizou a eles diante de um cenário de inovações, desafios e adaptabilidade.
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Segundo uma reportagem escrita por Milagros Costabel, da BBC Future, a IA está permitindo que pessoas cegas acessem um mundo de informações que antes era negado à este grupo.
Visualizando o futuro
Por meio de reconhecimento de imagens e processamento inteligente, aplicativos fornecem informações detalhadas não apenas sobre o mundo ao redor, mas também sobre as próprias pessoas.
A tecnologia faz mais do que simplesmente descrever a cena de uma imagem – ela oferece avaliações críticas, comparações e até conselhos. E isso está mudando a forma como pessoas cegas que usam esses aplicativos se veem.
Essa mudança é recente – há menos de dois anos, a ideia de uma IA oferecendo feedback crítico ao vivo parecia ficção científica.
A Envision, por exemplo, é um aplicativo para celular que surgiu para permitir à pessoas cegas que acessem informações em textos impressos por meio de reconhecimento de caracteres.
Nos últimos anos, no entanto, a empresa passou a incorporar modelos avançados de inteligência artificial em óculos inteligentes e criou um assistente – disponível na internet, em celulares e nos próprios óculos – que ajuda as pessoas cegas a interagir com o mundo visual ao seu redor.
Esses aplicativos, dos quais já existem ao menos quatro especializados nessa área, podem, a pedido do usuário, avaliar uma pessoa com base no que a inteligência artificial considera padrões tradicionais de beleza. Eles comparam o usuário com outras pessoas e dizem exatamente o que ela deveria mudar em seu corpo.
As limitações da IA
Historicamente, os modelos de inteligência artificial foram treinados para privilegiar corpos magros, hipersexualizados e com traços eurocêntricos. Ao definir padrões de beleza, esses sistemas têm falhado em considerar pessoas de origens diversas na geração de imagens.
Devido à própria forma como processa informações, a inteligência artificial tende a descrever tudo em termos estritamente visuais, o que pode gerar insatisfação quando a descrição carece de um contexto lógico.
Contudo, é possível exercer um tipo de controle sobre o feedback recebido. Como ocorre com a inteligência artificial em todas as suas aplicações, o prompt – a instrução escrita ou falada – tem o poder de alterar completamente a informação que uma pessoa cega recebe ao publicar uma foto de si mesma.
Soluções daqui em diante
Porém, quando a tecnologia passa a funcionar como os nossos olhos, também existe o risco de ela descrever algo que simplesmente não existe.
As chamadas alucinações – quando modelos de IA apresentam informações imprecisas ou falsas como se fossem verdadeiras – são um dos maiores problemas dessa tecnologia.
Para conter esse problema e os efeitos negativos que ele pode provocar, alguns desses aplicativos – como o Aira Explorer – utilizam agentes humanos treinados, que podem verificar a precisão das descrições quando o usuário solicita.
Mas, na maioria dos casos, o espelho textual continua sendo criado pela inteligência artificial, sem qualquer intervenção humana.
Para o bem ou para o mala, o espelho chegou. E com ele, o aprendizado de conviver com aquilo que ele nos mostra.









