Em 2026, o cenário global promete ser marcado tanto pela circulação antecipada de vírus respiratórios humanos, como a variante do influenza A conhecida como gripe K, quanto pela presença cada vez mais constante de vírus da gripe aviária, como os subtipos H5N1 e H5N5.
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No Brasil, a atenção também se volta à expansão de arboviroses e ao avanço da sífilis. E, apesar dessas preocupações, é o vírus Nipah que os infectologistas estão mais de olho neste momento.
Nipah e suas preocupações
A recente confirmação de dois casos do vírus Nipah na Índia acendeu um alerta em diversos países.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), todas as 190 pessoas que tiveram contato direto com os infectados foram testadas e liberadas, mas a possibilidade de uma contaminação em massa assustou a comunidade internacional.
Desde 2001, Índia e Bangladesh relatam surtos em frequência quase anual. A atual letalidade do agente infeccioso do vírus – entre 40% e 75% – limita sua capacidade de disseminação sustentada.
O contágio pode ocorrer com o consumo de frutas que foram contaminadas por animais doentes ou a partir do contato muito próximo com pessoas e animais infectados.
Não há vacina ou tratamento específico para a doença, o que a torna mais preocupante. A enfermidade causa febre, infecções respiratórias agudas e inflamações no cérebro.
Além disso, um a cada cinco infectados pode ter sequelas neurológicas de longo prazo, segundo a OMS.
Influenza e gripe K
No final de 2025, autoridades de saúde alertaram para o aumento de casos na Europa e nos Estados Unidos da gripe K; cujos primeiros casos foram confirmados no Brasil em meados de dezembro.
Mas não se trata de uma nova doença: o agente causador é o vírus da gripe comum, mais especificamente a variante H3N2 do subclado K, que deu o “apelido” à doença.
Segundo análises preliminares, o que pode ter potencializado levemente a capacidade de transmissão da gripe foi uma mudança sutil na estrutura viral, gerada pela mudança de subclado.
O influenza A, cujo agente causador é o mesmo da gripe K, pode provocar febre alta, tosse e congestão nasal.
Ela tende ser a mais grave entre grupos de risco, como idosos, crianças menores de 5 anos, pessoas transplantadas e com doenças pulmonares crônicas.
Quanto à sua prevenção, medidas universais de higiene que se tornaram populares durante a pandemia de Covid-19 continuam válidas para evitar infecções respiratórias, incluindo o uso de máscara, especialmente em quem tem sintomas, e a higiene constante das mãos.
Gripe aviária
Outras infecções virais respiratórias estão em permanente observação. Nos últimos dois anos, as formas de gripe aviária H5N1 e H5N5 causaram surtos em aves selvagens por todo o mundo.
Foram registrados casos em diversas espécies de mamíferos, inclusive humanos que tiveram contato direto com animais contaminados.
A boa notícia é que não há registro de contaminação entre pessoas.
Ainda assim, o agente infeccioso merece atenção constante.
As arboviroses
Outro grupo de doenças com crescimento recente são as arboviroses, doenças virais transmitidas por mosquitos.
Embora velhas conhecidas como a dengue e a febre amarela ainda sejam responsáveis pelos quadros mais graves, há novas enfermidades ganhando protagonismo, como a febre oropouche.
Desde 2023 carregada pelo mosquito maruim, a doença saiu da região amazônica, onde era endêmica, e se espalhou pelo país. Em 2024, o Ministério da Saúde registrou duas mortes pela condição.
Falando em dengue, o imunizante anunciado no final de 2025 pelo Instituto Butantan, em São Paulo, promete começar a mudar o cenário da doença a partir deste ano, ao lado da vacina Qdenga, aplicada desde 2024.
Contudo, até que a vacinação chegue à maioria da população, evitar a reprodução do mosquito Aedes aegypti ainda é a melhor forma de diminuir os casos de dengue, cujo pico ocorre logo no começo do ano.
Sífilis
Não são apenas enfermidades virais que merecem acompanhamento.
Uma doença bacteriana, a sífilis, tem crescido de maneira expressiva no Brasil e no mundo. Ela integra o grupo das ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) e quebrou recordes de casos nos últimos anos.
Em 2024, foram 256 mil registros, segundo o painel epidemiológico do Ministério da Saúde, e dados preliminares indicam que em 2025 podem ter sido mais.
O avanço da IST ocorre por múltiplos fatores, como não usar preservativo e falta de testagem. Não há indícios de resistência bacteriana ao tratamento com benzetacil, que segue disponível no SUS.
Além disso, estratégias adicionais de prevenção combinada estão em avaliação, como a DoxiPEP, uma profilaxia pós-exposição para infecções bacterianas, mas que ainda depende de dados para definição de uso amplo.









