Influenza D entra no radar global e acende alerta sanitário para 2026

Enquanto autoridades de saúde ainda analisam os impactos da COVID-19 e monitoram vírus emergentes como o Nipah, um outro agente infeccioso começa a ganhar atenção nos centros de vigilância epidemiológica: o Influenza D (IDV). Identificado pela primeira vez em 2011, o vírus passou anos restrito a rebanhos de animais, mas agora é apontado por pesquisadores como uma ameaça emergente à saúde global em 2026.

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Diferente dos vírus Influenza A e B, responsáveis pelas epidemias sazonais de gripe, e do tipo C, o Influenza D apresenta uma característica considerada crítica por cientistas: a capacidade de infectar múltiplas espécies. Inicialmente identificado em suínos e bovinos, o vírus já foi detectado também em aves, girafas e ovinos. Estudos recentes indicam ainda que ele circula silenciosamente entre humanos, especialmente entre profissionais da indústria pecuária, onde taxas de anticorpos chegam a 97% em alguns grupos, sugerindo exposição recorrente ao patógeno.

Um dos pontos que mais chamaram atenção da comunidade científica foi a identificação de uma linhagem isolada na China. Em testes laboratoriais, o vírus demonstrou capacidade de transmissão por gotículas respiratórias entre furões, modelo biológico amplamente utilizado por apresentar respostas semelhantes às humanas. A adaptação de um vírus zoonótico para transmissão aérea em mamíferos é considerada um passo crítico para eventos pandêmicos, segundo pesquisadores da área.

Três fatores principais explicam por que o Influenza D é visto como uma ameaça invisível. O primeiro é a ausência de imunidade específica na população mundial. O segundo está relacionado à ineficácia das vacinas atuais contra gripe, que protegem apenas contra os tipos A e B. Já o terceiro fator é o amplo reservatório animal, envolvendo bovinos, suínos, camelos e ovinos, o que dificulta estratégias de controle e erradicação do vírus.

Apesar de, até o momento, os casos humanos estarem associados a sintomas leves, semelhantes a um resfriado comum, justamente essa característica pode permitir que o vírus circule sem ser detectado pelos sistemas de vigilância até que sofra mutações mais contagiosas. Instituições internacionais têm reforçado a necessidade do conceito de “Saúde Única”, que integra o monitoramento de humanos, animais e meio ambiente.

Para o médico infectologista Dr. Klinger Faíco, doutor pela Universidade Federal de São Paulo, o cenário exige atenção contínua. Segundo ele, embora o Influenza D ainda não esteja associado a quadros graves em humanos, o potencial de alta transmissibilidade justifica investimentos em vigilância genômica, desenvolvimento de testes específicos e pesquisa preventiva de vacinas, evitando respostas tardias a um possível novo surto global.

Autor

  • Rowena Romagnoli

    22 anos de existência. Diretora das editorias de economia e tecnologia do portal Ponto360. Graduanda em jornalismo pela Estácio de Sá, atuando -também- em assessoria de imprensa há pouco mais de 1 ano.

    Apaixonada por tudo aquilo que traz felicidade à mente e ao corpo. Nas horas vagas, mãe de um lindo gato preto.

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