Consenso internacional redefine o que é lipedema e aponta caminhos para diagnóstico e tratamento

O lipedema, uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, dor e sensibilidade principalmente nos membros, acaba de ganhar a definição mais abrangente já construída até hoje.

Um grupo internacional de especialistas publicou, em janeiro de 2026, um documento de consenso que busca padronizar o diagnóstico e orientar o tratamento da condição em escala global.

O estudo

O trabalho, resultado de um processo do tipo Delphi conduzido pela Lipedema World Alliance, reuniu médicos, pesquisadores, terapeutas e representantes de pacientes de 19 países.

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Ao todo, foram analisadas 62 afirmações sobre a doença; 59 delas atingiram concordância mínima de 70% entre os participantes – muitas, inclusive, com níveis de acordo superiores a 90%.

A iniciativa surge em resposta a um problema recorrente: apesar do aumento da visibilidade do lipedema nos últimos anos, ainda há grande variação nos critérios diagnósticos e nas abordagens terapêuticas, o que dificulta tanto o cuidado clínico quanto a produção de evidências científicas.

O que diz o consenso

O consenso reconhece formalmente o lipedema como uma doença crônica, de evolução prolongada e impacto significativo na qualidade de vida.

A forma mais típica envolve aumento bilateral e simétrico do tecido adiposo subcutâneo nas pernas – muitas vezes poupando pés e mãos – acompanhado de dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso e facilidade para formar hematomas.

O novo consenso também reforça que o lipedema não é resultado de falha de estilo de vida, mas uma desordem do tecido adiposo, com influência genética e hormonal.

A gordura característica da doença costuma ser resistente a dietas hipocalóricas, o que explica por que muitas pacientes não observam melhora mesmo após perda significativa de peso.

Outros pontos

A dor aparece no documento como um dos sintomas mais consistentes e incapacitantes do lipedema, com impacto direto na saúde mental e na qualidade de vida.

Ela pode ser espontânea ou provocada pelo toque, fenômeno conhecido como alodinia.

O que ainda está em investigação, segundo o consenso, é o papel exato da matriz extracelular, da fibrose e do acúmulo de líquido entre as células.

Outro ponto central do consenso é o reconhecimento de que não existe exame que confirme o diagnóstico de lipedema.

A identificação da doença continua baseada na história clínica detalhada e no exame físico.

Exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância magnética, podem ter papel complementar, mas não substituem a avaliação médica.

As novas bases para daqui em diante

O consenso internacional é claro ao afirmar que o lipedema não tem cura conhecida.

O objetivo do tratamento é controlar sintomas, preservar a mobilidade e evitar progressão.

Assim, o novo consenso reforça que lipedema é doença crônica e distinta da obesidade, além de defender um tratamento multidisciplinar e individualizado para cada paciente.

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