Presente em até 90% das mulheres, a celulite segue sendo tratada, em muitos casos, apenas como um incômodo estético. Especialista alerta, no entanto, que o problema é mais complexo: trata-se de uma alteração estrutural do tecido subcutâneo, que envolve inflamação crônica, fibrose, alterações na circulação local e perda da qualidade do colágeno, fatores que exigem uma abordagem médica mais integrada para resultados reais e duradouros.
O aspecto irregular da pele, conhecido popularmente como “casca de laranja”, surge quando a gordura fica aprisionada entre septos fibrosos endurecidos, ao mesmo tempo em que há fragilidade do colágeno e comprometimento da microcirculação. Segundo o médico integrativo Cleugo Porto, esses elementos explicam por que a celulite pode surgir independentemente do peso corporal ou do nível de atividade física.
LEIA TAMBÉM: Nipah, Gripe K, aviária: as doenças no radar de infectologistas em 2026
“A celulite não é causada apenas pelo acúmulo de gordura. Ela envolve um processo inflamatório, fatores hormonais, genéticos e falhas na estrutura da pele”, explica.
Essa complexidade ajuda a entender por que tratamentos genéricos ou exclusivamente cosméticos costumam apresentar resultados limitados ou temporários. Cremes, massagens isoladas e protocolos padronizados não conseguem atuar nas camadas mais profundas onde o problema se instala.
“Para melhorar de forma real e sustentada, é necessário tratar a causa: liberar as fibroses que puxam a pele para baixo e estimular a produção de colágeno de qualidade”, afirma o especialista.
Entre as abordagens médicas mais utilizadas está a subcisão, procedimento que rompe mecanicamente os septos fibrosos responsáveis pelas depressões visíveis na pele. De acordo com Dr. Cleugo, essa técnica devolve mobilidade ao tecido e melhora o relevo cutâneo de forma imediata, sendo especialmente indicada para casos moderados e graves.
Outra estratégia frequentemente associada é o uso de bioestimuladores de colágeno, que atuam ao longo do tempo. “Esses produtos induzem o próprio organismo a produzir colágeno novo, o que fortalece a pele, melhora a firmeza e ajuda a reduzir a chance de recidiva da celulite”, explica.
O ponto central está na avaliação individualizada. Cada paciente apresenta um grau diferente de inflamação, fibrose, flacidez e comprometimento circulatório, o que exige combinações específicas de técnicas.
“Celulite não se resolve com solução milagrosa ou sessão única. O tratamento precisa ser personalizado, progressivo e baseado em ciência, respeitando a biologia de cada corpo”, conclui Dr. Cleugo Porto.









