O cansaço constante que não melhora mesmo após noites de sono ou períodos de descanso pode ter causas mais profundas do que o estresse da rotina. Especialistas alertam que a fadiga persistente pode estar relacionada a desequilíbrios hormonais, como alterações na tireoide, no cortisol, na insulina ou nos hormônios sexuais, comprometendo diretamente a energia física e mental.
De acordo com a médica da família com especialização em Endocrinologia Thatyane Ribeiro, os hormônios funcionam como mensageiros do organismo e interferem no ritmo do metabolismo. “Quando esse sistema está em desajuste, o corpo perde eficiência. A pessoa acorda cansada, sente dificuldade de concentração e percebe que a energia não retorna nem com repouso”, explica.
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Entre as causas mais comuns está o hipotireoidismo, condição em que a glândula tireoide funciona de forma lenta, reduzindo o metabolismo e provocando desânimo constante. Outro fator relevante é o cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Níveis muito altos ou muito baixos podem gerar exaustão prolongada, sensação de esgotamento e dificuldade de recuperação física.
Os hormônios sexuais também exercem papel importante nesse quadro. A queda de testosterona ou o desequilíbrio entre estrogênio e progesterona pode impactar diretamente o vigor físico, o humor e a disposição mental. Além disso, a resistência à insulina dificulta a entrada de glicose nas células, reduzindo o fornecimento de energia e intensificando a sensação de fadiga ao longo do dia.
Outras condições clínicas, como deficiência de ferro, hipovitaminose e alterações metabólicas, também podem estar associadas ao cansaço persistente. Para a especialista, o principal erro é normalizar o sintoma. “Sentir-se exausto o tempo todo não é normal e não deve ser ignorado. Esse é um sinal de alerta do organismo de que algo precisa ser investigado”, afirma.
A boa notícia é que o quadro pode ser revertido com diagnóstico adequado. “Com exames laboratoriais e acompanhamento especializado, é possível identificar o desequilíbrio hormonal, regular essas taxas e recuperar a vitalidade”, conclui Thatyane.









