Anvisa emite alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido de canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nesta segunda-feira (9) um alerta para ressaltar os riscos do uso indevido de medicamento agonistas do receptor GLP-1, também conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.

Embora o risco já conste nas bulas aprovadas no Brasil, as notificações têm aumentado tanto no cenário internacional quanto no nacional, o que exigiu o reforço das orientações de segurança pela Anvisa.

Segundo a agência, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.

Os medicamentos e o alerta

O devido monitoramento médico é motivado justamente pelo risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes (morte de tecidos moles, fáscias ou pele) e até fatais.

Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja: os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula.

Além disso, o alerta da Anvisa faz referência exclusiva a classe de medicamentos que inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida.

Aumento de casos

Recentemente, a autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA) informou que registrou, entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite aguda relacionadas aos usuários desses medicamentos.

Está incluso nessas notificações 19 óbitos.

No Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, houve o registro de 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas de casos com desfecho de óbito.

A preocupação com esses eventos foi um dos motivos para a Anvisa determinar, em junho de 2025, que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desses medicamentos.

Desde então, a prescrição médica passou a ser feita em duas vias, e a venda só pode ocorrer com a retenção da receita na farmácia ou drogaria, assim como acontece com os antibióticos. A validade das receitas é de até 90 dias, a partir da data de emissão.

Além disso, a Anvisa destacou no alerta que “o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva significativamente o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves”.

Uso das canetas emagrecedoras

Atualmente, a maioria das canetas emagrecedoras só é permitida para o tratamento de obesidade e diabetes. Porém, há duas exceções que permitem outras indicações: a semaglutida (componente do Wegovy e Ozempic, por exemplo) para redução do risco de eventos cardiovasculares e o Mounjaro no tratamento da apineia.

Assim sendo, qualquer indicação fora dessa lista de doenças é contraindicada pela agência. Isso acontece porque não há evidências suficientes de que possam ser usados em outros tipos de tratamentos, o que expõe os pacientes ao risco.

O que é a pancreatite?

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, órgão que fica na região do abdômen e tem papel central na digestão e no controle do açúcar no sangue. É ele que produz enzimas que ajudam a digerir os alimentos e hormônios como a insulina, responsável por regular a glicose no organismo.

Quando o pâncreas inflama, essas enzimas passam a “agredir” o próprio órgão, causando dor intensa, náuseas e alterações graves no funcionamento do corpo. Em quadros mais severos, a inflamação pode se espalhar, provocar falência de órgãos e levar à morte se não houver tratamento rápido.

Recomendações

No alerta emitido pela Anvisa, a agência fez uma recomendação a respeito de sintomas da pancreatite.

“A Agência recomenda que os usuários desses medicamentos procurem atendimento médico imediato, em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos – sintomas sugestivos de pancreatite”.

Além disso, o órgão reforçou a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed (sistema no qual pessoas podem reportar suspeitas de eventos adversos relacionadas a medicamentos e vacinas).

O objetivo é contribuir para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no país, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional.

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