O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão aponta que o banqueiro teria ocultado R$ 2,2 bilhões pertencentes a vítimas do banco em uma conta vinculada ao próprio pai, Henrique Moura Vorcaro, mesmo após ter sido alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero.
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De acordo com a decisão judicial, foi identificado o bloqueio de valores expressivos que estariam vinculados ao esquema investigado. O despacho afirma:
“Foi bloqueada a impressionante quantia de R$ 2.245.235.850,24 (dois bilhões, duzentos e quarenta e cinco milhões, duzentos e trinta e cinco mil, oitocentos e cinquenta reais e vinte e quatro centavos), valor que estava na conta do genitor de DANIEL VORCARO, HENRIQUE MOURA VORCARO, junto à empresa CBSF DTVM, mais conhecida como REAG.”
As empresas citadas integram o rol de instituições sob investigação no contexto das supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada para apurar a emissão de títulos de crédito falsos por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na ocasião, o empresário foi detido um dia antes da liquidação do Banco Master, instituição que, segundo as investigações, estava no centro de uma complexa rede de fraudes que teria atingido diferentes setores e entidades do mercado financeiro.
Poucos dias depois, o banqueiro foi colocado em liberdade mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
Entretanto, segundo o ministro André Mendonça, mesmo após a soltura, ocorrida em 28 de novembro de 2025, as práticas ilícitas teriam continuado. A decisão sustenta:
“A organização criminosa continuou a ocultar recursos bilionários em nome de terceiros, os quais somente foram descobertos em razão das medidas executadas por ocasião da Segunda Fase da Operação Compliance Zero.”
A nova fase da operação teria revelado a movimentação e a ocultação de valores expressivos em nome de terceiros, incluindo familiares, o que motivou o novo decreto de prisão preventiva.
Além da suposta ocultação de recursos, a nova ordem de prisão foi fundamentada em indícios de que Vorcaro teria tentado interferir no andamento das investigações. Segundo apuração, o empresário teria promovido uma ofensiva contra pessoas envolvidas no caso, incluindo testemunhas e outros investigados.
A Polícia Federal cumpriu o mandado em São Paulo, onde o banqueiro foi novamente detido.
A decisão judicial considera que tais condutas indicariam risco à ordem pública e à instrução processual, justificando a medida extrema de prisão preventiva.
O que diz a defesa
A defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer tentativa de obstrução e afirma que o empresário sempre colaborou com as autoridades. Em nota, os advogados declararam:
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.”
Os representantes do banqueiro também contestam as acusações e afirmam confiar no esclarecimento dos fatos:
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”
Contexto da Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de fraudes estruturadas no sistema financeiro, envolvendo a emissão irregular de títulos de crédito e movimentações financeiras que teriam causado prejuízos bilionários a investidores e clientes.
Com a nova prisão, o caso ganha novos desdobramentos e amplia a dimensão das suspeitas envolvendo o Banco Master e seus dirigentes. A expectativa é que, nos próximos dias, novas informações sobre o rastreamento dos recursos bloqueados e o papel de cada investigado venham a público.
O processo segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal, dada a complexidade do caso e o possível alcance nacional das operações financeiras investigadas.









