“O poder era dele”: testemunhos expõem padrão de acusações contra desembargador Magid Láuar

As acusações contra o desembargador Magid Nauef Láuar, integrante do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), ganharam nova dimensão após a divulgação de relatos de vítimas e a abertura de apurações administrativas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Testemunhos reunidos por autoridades indicam um padrão de episódios atribuídos ao magistrado ao longo de anos, envolvendo denúncias de assédio e abuso sexual.

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A repercussão nacional se intensificou após reportagem exibida pelo Fantástico, na qual vítimas relataram episódios ocorridos quando o magistrado ainda atuava como juiz em comarcas do estado.

Ele pega a minha mão e leva até o órgão genital dele”, afirmou uma testemunha que preferiu não se identificar. Outra mulher relatou:Ele me deu um beijo sem consentimento. Eu me senti invadida, com nojo e constrangida”.

Decisão judicial sobre caso de adolescente desencadeou repercussão

O episódio que reacendeu as denúncias teve início em Indianópolis, no Triângulo Mineiro. Em 2024, o Conselho Tutelar identificou que uma adolescente de 12 anos vivia com um homem adulto.

Segundo a conselheira responsável, “a mãe informou que a menina já não morava com ela e vivia com o companheiro.”

O homem foi preso e admitiu a relação. A promotoria ressaltou:

“A lei é clara: qualquer relação sexual com menor de 14 anos é crime, independentemente de consentimento ou vínculo afetivo.”

Apesar da condenação em primeira instância, o tribunal absolveu os réus em julgamento posterior. O voto do relator, Magid Láuar, considerou a existência de “relacionamento amoroso sem violência”.

A decisão provocou reação imediata de juristas. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Minas Gerais declarou:

“Não houve aplicação adequada da técnica jurídica. A vulnerabilidade de menores de 14 anos é absoluta.”

Após a repercussão, novas testemunhas procuraram autoridades para denunciar episódios atribuídos ao magistrado.

Um parente do desembargador afirmou ter sido vítima ainda adolescente. Segundo ele:

“Quando me sentei na cama, havia um filme pornográfico na televisão. Ele pegou minha mão e levou até o órgão genital dele.”

Duas mulheres que trabalharam com o juiz também relataram episódios de violência. Uma delas afirmou:

“Eu me senti invadida, me senti com nojo, profundamente constrangida. Aquilo me marcou.”

Outra testemunha descreveu abordagens dentro do gabinete judicial em Betim:

“Eu tinha medo. Ele era o juiz. O poder estava com ele.”

Após a repercussão, o próprio magistrado restabeleceu a condenação do caso da adolescente por decisão individual. O procedimento foi questionado por autoridades.

Segundo o Ministério Público, “uma decisão colegiada deve ser revista pelo próprio colegiado.”

O CNJ determinou o afastamento do desembargador durante as investigações. A Polícia Federal cumpriu mandado de busca no gabinete do magistrado no tribunal.

O tribunal informou que “irá colaborar integralmente com as apurações”. Parte das denúncias antigas prescreveu, mas relatos recentes seguem sob investigação. O desembargador não se manifestou publicamente.

Especialistas destacam impacto institucional e social

Juristas e promotores ouvidos destacam que o caso evidencia fragilidades estruturais na proteção de crianças e adolescentes.

Quando falamos de menores vulnerabilizados, falamos de um sistema de proteção que precisa funcionar de forma integrada, afirmou uma promotora de justiça.

Outra vítima declarou que o silêncio social contribui para a perpetuação da violência:

A relativização e a indiferença também são formas de violência. Não podemos mais nos calar”.

O caso segue sob investigação administrativa e criminal. O CNJ avalia possíveis sanções disciplinares, enquanto autoridades federais analisam elementos probatórios reunidos nos depoimentos.

O episódio se tornou símbolo de um debate mais amplo sobre responsabilidade institucional, proteção de vítimas e limites do poder no sistema de justiça brasileiro.

Autor

  • Nicolas Pedrosa

    Jornalista formado pela UNIP, com experiência em TV, rádio, podcasts e assessoria de imprensa, especialmente na área da saúde. Atuou na Prefeitura de São Vicente durante a pandemia e atualmente gerencia a comunicação da Caixa de Saúde e Pecúlio de São Vicente. Apaixonado por leitura e escrita, desenvolvo livros que abordam temas sociais e histórias de superação, unindo técnica e sensibilidade narrativa.

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