Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (11) pelo instituto Quaest indica piora na avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o levantamento, 51% dos brasileiros desaprovam a gestão federal, enquanto 44% dizem aprovar o trabalho do presidente, revelando uma ampliação da diferença entre os dois índices.
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O estudo foi realizado entre os dias 6 e 9 de março e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos.
De acordo com os dados, a desaprovação ao governo voltou a subir após meses de relativa estabilidade, passando de 49% em fevereiro para 51% em março. Já a aprovação registrou leve queda, recuando de 45% para 44%.
O percentual de entrevistados que não souberam ou preferiram não responder ficou em 5%.
A diferença entre aprovação e desaprovação, que era mínima no final de 2025, vem aumentando gradualmente. Em dezembro a distância era de apenas um ponto percentual, passando para dois em janeiro, quatro em fevereiro e chegando agora a sete pontos.
Embora o índice atual esteja abaixo do pico de rejeição registrado em maio de 2025, quando chegou a 57%, os números indicam uma tendência de desgaste político ao longo dos últimos meses.
Um dos recortes que chamou atenção no levantamento foi o comportamento do eleitorado feminino. Pela primeira vez desde o início da série recente de pesquisas, a desaprovação entre as mulheres (48%) superou a aprovação (46%).
O grupo é considerado estratégico para a eleição presidencial deste ano, na qual Lula pretende disputar a reeleição.
Entre os mais jovens também houve aumento da insatisfação. No grupo de brasileiros entre 16 e 34 anos, a desaprovação subiu de 50% para 56%, indicando perda de apoio entre parte do eleitorado jovem.
Nordeste segue como principal base de apoio
No recorte regional, o levantamento mostra um país politicamente dividido. O Nordeste permanece como a região com maior aprovação ao presidente, onde 65% avaliam positivamente o governo.
Já nas demais regiões do país, a desaprovação aparece de forma predominante:
- Sudeste: 58% desaprovam
- Sul: 60% desaprovam
- Centro-Oeste e Norte: 59% desaprovam
Os números mostram uma concentração do apoio eleitoral no Nordeste, enquanto o restante do país apresenta avaliação mais crítica ao governo federal.
Entre os entrevistados que se identificam como católicos, também houve alteração nos índices. A desaprovação passou de 42% para 47%, enquanto a aprovação caiu de 52% para 49%.
O dado sugere um equilíbrio maior na percepção desse grupo religioso, que historicamente já apresentou níveis mais elevados de aprovação ao presidente.
Avaliação geral do governo também piora
Além de medir aprovação e desaprovação, a pesquisa avaliou a percepção geral da gestão federal. Nesse quesito, 43% classificam o governo como negativo, número que voltou ao mesmo patamar observado em maio de 2025.
Já a avaliação positiva caiu e passou para 31%, enquanto 25% consideram o governo regular. Apenas 1% dos entrevistados não soube ou não quis responder.
Os números indicam uma tendência de aumento da avaliação crítica em relação ao desempenho da administração federal.
A pesquisa também investigou como os brasileiros percebem o noticiário sobre o governo. Cresceu o número de entrevistados que afirmam ter visto mais notícias negativas, passando de 41% em fevereiro para 47% agora.
Por outro lado, os que dizem ter visto mais notícias positivas diminuíram, caindo de 30% para 24%.
O dado sugere um ambiente informativo mais crítico ao governo nas últimas semanas.
Outro ponto abordado no levantamento foi a percepção sobre a continuidade do presidente no cargo. Para 59% dos entrevistados, Lula não merece continuar na presidência por mais quatro anos.
Já 37% defendem a permanência do petista, enquanto 4% não souberam responder.
O índice contrário à continuidade também vem crescendo gradualmente. Em janeiro era de 56%, subiu para 57% em fevereiro e agora chegou a 59%.
Economia pesa na percepção do governo
A avaliação da economia aparece como um dos fatores que influenciam a opinião pública. Quase metade dos entrevistados (48%) acredita que a situação econômica piorou nos últimos 12 meses.
Outros 24% dizem que houve melhora, enquanto 26% avaliam que a situação permaneceu a mesma.
Quando questionados sobre os próximos 12 meses, 41% acreditam que a economia pode melhorar, mas o número de pessimistas também cresceu: 34% dizem esperar piora.
Já 21% acreditam que o cenário econômico permanecerá igual.
O levantamento também perguntou aos entrevistados se foram beneficiados pela proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
Segundo a pesquisa, 31% afirmam ter sido beneficiados pela medida, enquanto 66% dizem que não foram impactados diretamente. Outros entrevistados não souberam ou preferiram não responder.
Os números praticamente repetem o resultado da pesquisa anterior realizada em fevereiro.
Além da avaliação do governo, o instituto testou cenários para a eleição presidencial deste ano. Pela primeira vez, o levantamento aponta empate técnico em um eventual segundo turno entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
Segundo a simulação, ambos aparecem com 41% das intenções de voto, indicando uma disputa potencialmente acirrada caso o cenário se confirme nas urnas.
O resultado reforça o ambiente de polarização política que marca o debate público no país desde as últimas eleições presidenciais.









