Lula sanciona lei que veta linguagem neutra e impõe regras de comunicação clara no serviço público

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou uma nova legislação que estabelece regras para a comunicação oficial no país e, entre elas, impede o uso de expressões ligadas à linguagem neutra pelo serviço público. A determinação atinge órgãos federais, estaduais e municipais, além de escolas públicas de todas as esferas, reforçando que comunicações institucionais devem seguir normas tradicionais da gramática portuguesa.

LEIA TAMBÉM: Juíza argentina é destituída após aparecer em documentário sobre julgamento da morte de Maradona

A proibição aparece na Política Nacional de Linguagem Simples, sancionada nesta segunda-feira, 17, que define parâmetros para a produção de textos destinados ao cidadão. A diretriz ficou explícita no item que orienta que

“a administração pública obedecerá às técnicas de linguagem simples na redação de textos dirigidos ao cidadão, tais como: (…) XI – não usar novas formas de flexão de gênero e de número das palavras da língua portuguesa, em contrariedade às regras gramaticais”.

Confira “Filhos do Silêncio” de Andrea dos Santos

Com apenas nove artigos, a lei apresenta um conjunto enxuto de normas, mas com impacto amplo.

A proposta busca tornar mais acessível a comunicação estatal, reduzindo barreiras de compreensão. De acordo com o governo, a ideia geral é “possibilitar que os cidadãos consigam encontrar, entender e usar as informações publicadas pelos órgãos e entidades da administração pública”, priorizando textos mais claros, objetivos e livres de termos técnicos desnecessários. A expectativa é de que a mudança contribua para atendimentos mais rápidos e até para a diminuição de custos operacionais.

O debate sobre linguagem neutra, no entanto, está longe de ser pacificado. O tema provoca divergências tanto entre grupos conservadores e progressistas quanto dentro da própria esquerda. Há defensores que enxergam no uso de pronomes e flexões neutras uma forma de inclusão de pessoas não-binárias e intersexo, enquanto críticos afirmam que essas construções ainda não são facilmente compreendidas pela maior parte da população.

Nos últimos anos, iniciativas estaduais e municipais que tentavam barrar a linguagem neutra — especialmente no ambiente escolar — chegaram ao Judiciário. A Justiça, na maioria dessas disputas, considerou que orientações centrais de educação são competência exclusiva da União, resultando na derrubada de diversas leis locais. Esse histórico consolidou um entendimento restritivo para legislações regionais.

Autor

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *