Em São Paulo, durante a abertura da 17ª Caravana Federativa nesta quinta-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou publicamente que Dario Durigan assumirá o Ministério da Fazenda após a saída de Fernando Haddad, que deixa o cargo para disputar o governo paulista.
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O anúncio, feito de forma direta diante de autoridades e gestores públicos, consolida uma transição já esperada dentro da equipe econômica e mantém a linha de condução das políticas fiscais adotadas desde 2023.
Ao chamar Durigan ao palco, Lula sinalizou confiança no sucessor e deixou clara a responsabilidade que recairá sobre o novo ministro.
“É dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, afirmou, em tom que misturou formalidade institucional e recado político.
Durigan não chega como um nome de ruptura, muito pelo contrário. Sua trajetória está diretamente ligada à formulação das principais medidas econômicas recentes do governo, especialmente aquelas voltadas à recomposição de receitas e ao reequilíbrio fiscal.
Desde o início do atual mandato, atuando como secretário-executivo, o segundo posto mais importante da pasta, ele participou de:
- Estratégias de aumento de arrecadação tributária
- Articulação da reforma tributária sobre o consumo
- Negociações envolvendo dívidas estaduais
- Construção de consensos com o Congresso Nacional
Formado em Direito pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Advocacia-Geral da União e pelo setor privado, incluindo atuação no WhatsApp, Durigan construiu reputação de articulador técnico, com bom trânsito entre agentes econômicos e políticos, ainda que distante dos holofotes.
Essa característica, embora vista como virtude em momentos de estabilidade, será testada em um cenário de alta exposição e pressão pública.
A despedida de Haddad, feita também em São Paulo, teve tom de balanço. O agora ex-ministro destacou o papel do Congresso e do pacto federativo na sustentação das medidas econômicas.
Sua saída não representa apenas uma troca de nomes, marca a entrada do governo em uma fase eleitoral mais intensa, na qual decisões econômicas passam a ser observadas sob lente política ainda mais rigorosa.
Durigan assume o comando da Fazenda em um ambiente que exige precisão quase cirúrgica. O principal desafio será conciliar responsabilidade fiscal com demandas políticas em ano pré-eleitoral.
Entre os pontos mais sensíveis estão:
- Meta de superávit de 0,25% do PIB em 2026
- Limitações do arcabouço fiscal aprovado em 2023
- Crescimento acelerado de gastos obrigatórios
- Redução do espaço para investimentos públicos
Na prática, mesmo com meta positiva, projeções indicam possibilidade de déficit nas contas públicas. Esse descompasso entre resultado “oficial” e realidade fiscal tende a alimentar críticas e pressionar a equipe econômica.
Outro eixo central será a regulamentação da reforma tributária. Embora aprovada, sua implementação ainda exige definições técnicas e políticas delicadas.
O ponto mais controverso é o chamado “imposto seletivo”, ou “imposto do pecado”, que incidirá sobre produtos como:
- Bebidas alcoólicas
- Cigarros
- Itens com impacto negativo à saúde pública
O problema é direto: aumento de preços em ano eleitoral.
Traduzindo: desgaste político quase garantido.
Além disso, o governo trabalha na implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para 2027, com 2026 funcionando como fase de testes e ajustes operacionais.
Se o cenário interno já é apertado, o externo não ajuda. A escalada de tensões no Oriente Médio elevou o preço do petróleo para além dos US$ 100 por barril, pressionando a inflação global.
No Brasil, os efeitos são diretos:
- Combustíveis mais caros
- Pressão inflacionária generalizada
- Redução do ritmo de queda dos juros
- Impactos potenciais sobre emprego e crescimento
Diante disso, o governo já ensaia medidas emergenciais, como redução de impostos e subsídios ao diesel, tentando amortecer o impacto sobre a economia real.
A nomeação de Durigan carrega um recado claro: o governo aposta na continuidade técnica para atravessar um período de turbulência política e econômica.
Mas o desafio é maior do que manter o rumo. É segurar o leme com o mar agitado.
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Em ano eleitoral, cada decisão econômica deixa de ser apenas técnica, vira narrativa, disputa e, muitas vezes, alvo.









