Heleno e Paulo Sérgio têm prisão executada no CMP após condenação no STF

A Polícia Federal, em ação conjunta com o Exército Brasileiro, cumpriu na tarde desta terça-feira (25) as ordens de prisão contra os generais Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, ambos ex-ministros do governo Jair Bolsonaro. As detenções ocorreram em Brasília, logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar o trânsito em julgado do processo que apurou a trama golpista.

Os dois militares foram levados para o Comando Militar do Planalto (CMP), onde devem iniciar o cumprimento das penas impostas.

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Com a decisão desta terça-feira, o STF considerou que não há mais possibilidade de novos recursos. Assim, ficou autorizada a execução imediata das penas:

  • Augusto Heleno – condenado a 21 anos de prisão;
  • Paulo Sérgio Nogueira – condenado a 19 anos de prisão.

A Corte também declarou encerrado o processo em relação a Alexandre Ramagem, Anderson Torres e ao próprio Jair Bolsonaro, este último já preso preventivamente por outro caso.

Segundo ministros do tribunal, o encerramento dos recursosconsolida definitivamente a responsabilidade penal dos envolvidos.

O envio dos condenados ao Comando Militar do Planalto, e não a um presídio comum, atende ao que prevê o Estatuto dos Militares, segundo o qual integrantes das Forças Armadas, da ativa ou reserva, podem cumprir pena em instalações militares.

Heleno: Fachada do Comando Militar do Planalto, em Brasília, em 2016 - Foto: Gabriel Luiz/g1
Fachada do Comando Militar do Planalto, em Brasília, em 2016 – Foto: Gabriel Luiz/g1

O especialista em Ciências Criminais Berlinque Cantelmo explica que o benefício não é automático, mas pode ser autorizado por razões de segurança institucional.

“A jurisprudência admite exceções quando há risco à integridade física do preso ou potencial instabilidade no sistema prisional comum”, afirma o advogado.

Entre os fatores citados estão:

  • risco de agressões por parte de outros detentos;
  • dificuldade de alocação no sistema comum;
  • possível instabilidade institucional pela presença de oficiais-generais.

Quem são os condenados no processo do golpe?

  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
  • Augusto Heleno, ex-chefe do GSI
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça
  • Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto, general e ex-ministro
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens (delator; cumpre pena domiciliar)
  • Jair Bolsonaro, ex-presidente

Bolsonaro já está preso, mas por outro motivo

Embora o processo do golpe tenha sido concluído, Jair Bolsonaro permanece detido por uma prisão preventiva decretada no último sábado (22). Ele está na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

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A medida foi tomada após a PF relatar ao STF:

  • violação da tornozeleira eletrônica;
  • indícios de risco de fuga, reforçados pela convocação de uma vigília religiosa organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O ministro Alexandre de Moraes afirmou que a combinação dos episódios poderia indicar “estratégia coordenada de evasão”. Em despacho recente, Moraes destacou:

“Os fatos revelam tentativa de obstrução da Justiça e comportamento que coloca em risco a aplicação da lei penal.”

A defesa do ex-presidente sustenta outra versão. Segundo os advogados:

“Bolsonaro sofreu episódios de confusão mental e alucinações provocadas por interação medicamentosa, não havendo qualquer intenção de fuga.”

Clima em Brasília após as prisões

As prisões dos dois ex-ministros militares provocaram imediata repercussão nos corredores do Congresso e entre oficiais da reserva. Em Brasília, equipes da PF reforçaram a segurança nos arredores do CMP e da Esplanada dos Ministérios.

Integrantes do governo afirmam que o cumprimento das ordens judiciais demonstra a preservação das instituições e a reação do Estado Democrático de Direito.

Enquanto isso, aliados políticos dos condenados classificaram as prisões como exageradas epolíticas. Um parlamentar da oposição, que pediu anonimato, declarou:

“O que está acontecendo é perseguição. Esses generais dedicaram a vida ao país.”

Do outro lado, ministros do STF defendem que as decisões seguem estritamente o que determinam as provas e a legislação.

Autor

  • Nicolas Pedrosa

    Jornalista formado pela UNIP, com experiência em TV, rádio, podcasts e assessoria de imprensa, especialmente na área da saúde. Atuou na Prefeitura de São Vicente durante a pandemia e atualmente gerencia a comunicação da Caixa de Saúde e Pecúlio de São Vicente. Apaixonado por leitura e escrita, desenvolvo livros que abordam temas sociais e histórias de superação, unindo técnica e sensibilidade narrativa.

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