Dados recentes sobre os gastos de Alexandre Ramagem acenderam um novo foco de questionamentos sobre a transparência das verbas parlamentares. Mesmo após deixar o país segundo investigação da Polícia Federal o deputado continuou a solicitar reembolso de despesas com abastecimento de combustíveis em postos do Rio de Janeiro.
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O detalhe: os abastecimentos ocorreram nos momentos em que Ramagem participava, remotamente, de votações na Câmara dos Deputados. Entre setembro e outubro, levantamento indica que foram solicitados cerca de R$ 4,7 mil em reembolsos de gasolina todos em nome de Ramagem.
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As notas fiscais coincidem com datas de votações de matérias polêmicas, o que sugere que os abastecimentos podem ter sido feitos por terceiros, com verba pública, em benefício indireto. Tal prática contraria o regimento interno da Câmara, que prevê ressarcimento de combustível apenas se utilizado pelo próprio parlamentar.
Fontes da Casa e especialistas em direito parlamentar afirmam que, mesmo diante dos recibos, o uso de verba pública para abastecimento por terceiros configura irregularidade, podendo implicar glosa do gasto, pedido de devolução ou abertura de processo na Corregedoria.
Isso é ainda mais grave diante da condenação de Ramagem pela trama golpista e da ordem de perda de mandato emitida pelo STF. O caso eleva o debate sobre a transparência do uso de recursos públicos por parlamentares condenados ou em situação judicial sensível.
A manutenção de gastos após fuga do país e durante votações remotas se confirmada irregular reforça críticas sobre privilégios, mau uso da cota parlamentar e fragilidade dos mecanismos de controle interno da Câmara.
Mais do que um episódio isolado, a questão designa a urgência de revisão rigorosa nas normas de reembolso de despesas e de mecanismos mais eficazes de fiscalização do uso da verba pública. A sociedade exige clareza e prestação de contas sobretudo quando se trata de representantes públicos com histórico de condenação penal.









