Menos de 48 horas após anunciar oficialmente sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recuou e admitiu a possibilidade de abandonar o projeto eleitoral. A declaração veio após participar de um culto em Brasília, que seria tratado como sua primeira agenda pública de pré-campanha. Flávio afirmou que poderia desistir da disputa, mas condicionou a decisão a um “preço” que, segundo ele, envolve a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Exigência: Anistia para Bolsonaro
Sem apoio sólido do Centrão e pressionado pelo fraco desempenho em pesquisas recentes, Flávio Bolsonaro sinalizou que abriria mão de disputar o Planalto apenas caso o Congresso aprove uma anistia ao pai, condenado a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.
Em entrevista à Record, no domingo, 7, Flávio reforçou a condição:
“O meu preço para desistir é ter Bolsonaro livre, nas urnas. Ele caminhando com seus netos pelas ruas do Brasil.”
Com isso, o senador deixou claro que a candidatura não é “irrevogável”, desde que a família obtenha a liberdade plena do ex-presidente.
Pesquisas Mostram Baixa Popularidade de Flávio
A tensão interna entre a direita e o bolsonarismo ganhou força após o Datafolha mostrar que apenas 8% dos entrevistados apontam Flávio como o melhor nome para ser apoiado por Jair Bolsonaro.
No levantamento, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aparece como preferida, com 22%, seguida do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com 20%.
Outro dado relevante: 50% dos eleitores disseram que não votariam em nenhum candidato indicado pelo ex-presidente, enquanto 26% afirmaram que votariam com certeza, e 21% responderam que “talvez”.
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Bastidores Políticos: Estratégia e Pressão
Nas redes sociais, aliados bolsonaristas passaram a sugerir que a pré-candidatura de Flávio teria sido lançada como estratégia de pressão para que o Congresso aceite discutir a anistia de Jair Bolsonaro.
Segundo essa leitura, a desistência seria usada como moeda de troca para a “união da direita”, tendo o governador Tarcísio de Freitas como candidato principal.
Líderes políticos avaliam Tarcísio como o nome mais competitivo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que indicou pretensão de disputar a reeleição. A mesma avaliação estaria alinhada com setores do Planalto.
Flávio afirmou que detalhará sua posição após reunião com representantes de partidos influentes do Centrão, entre eles:
- Valdemar Costa Neto (PL)
- Ciro Nogueira (PP)
- Marcos Pereira (Republicanos)
- Antonio Rueda (União Brasil)
- Rogério Marinho (PL-RN)
Apesar do esforço, líderes do bloco avaliam que Flávio não demonstra força política capaz de articular sua própria candidatura.
Reação da Oposição
Para governistas, a postura do senador foi considerada um “vexame”.
O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias, afirmou que a frase “eu tenho um preço” demonstra chantagem política:
“Esse é o método da família Bolsonaro.”
Relacionamento com Tarcísio de Freitas
Mesmo sinalizando recuo, Flávio elogiou o governador paulista, chamando-o de “principal cara do time”. Ele afirmou que Tarcísio foi o primeiro a ser consultado antes do anúncio da pré-candidatura, revelando sintonia e admiração.
Mercado Financeiro e Repercussão
Após o anúncio inicial da pré-candidatura, a Bovespa registrou queda de quase 2%, interpretada por analistas como reação negativa do mercado. Flávio, entretanto, minimizou o episódio e classificou a resposta como “precipitada”.
Visita à Prisão e Próximos Passos
Flávio pretende visitar o pai nos próximos dias para informá-lo sobre o andamento das negociações.
Nos bastidores, o senador tenta atrair apoios, embora o Centrão tenha demonstrado preferência explícita pelo nome de Tarcísio e avalie uma postura de neutralidade em 2026.
Panorama Final
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro começou turbulenta. Com pesquisa desfavorável, resistência interna e a exigência de anistia ao pai como condição para recuar, o cenário revela uma direita fragmentada e sem consenso. Enquanto isso, o nome de Tarcísio de Freitas cresce como possível unificador, deixando Flávio em posição instável na corrida presidencial.









