Erika Hilton alega ter sofrido ataques “pagos” por deputados adversários

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou ter sofrido uma onda de ataques e discurso de ódio em diversas redes sociais nesta última semana. 

Segundo a equipe da deputada, foram detectadas ao menos 145 postagens pagas em plataformas como Instagram e Facebook, impulsionadas majoritariamente por parlamentares de extrema-direita, que criticam a recente posse de Erika como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.

Confrontos na posse e ações judiciais contra transfobia

A posse, ocorrida em 14 de março de 2026, foi marcada por confrontos entre os parlamentares presentes. O apresentador Ratinho chegou a atacar Erika verbalmente em seu programa de TV, alegando que ela “não é mulher” para assumir a presidência da comissão. Em resposta, a deputada entrou com um pedido de ação criminal contra o apresentador por transfobia e encaminhou ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) uma representação, que além de acusar Ratinho de ódio contra pessoas trans, inclui os crimes de injúria transfóbica e violência política de gênero, requisitando a abertura de um inquérito para investigá-lo.

Erika também foi atacada por mulheres, como a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP), que a atacou na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Na ocasião, a deputada utilizou maquiagem para pintar o rosto e os braços, prática conhecida como blackface, para atacar Hilton.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal investigam a deputada pelos crimes de racismo, transfobia e misoginia. Um grupo de 18 deputados estaduais de São Paulo também pedem a cassação de Fabiana. 

Dossiê de financiamento e o aumento da violência real

A nova presidente anunciou possuir um dossiê, que conteria provas do financiamento feito pelos deputados, descrito por ela como uma onda de ódio. Ela classifica esse movimento como uma tentativa de desviar o foco das pautas da comissão em um momento crítico para o Brasil, que enfrenta uma epidemia de violência contra a mulher. Somente no estado de São Paulo, os casos de feminicídio aumentaram em 31% no primeiro bimestre de 2026. 

Contradições e uso político do discurso de proteção

A ofensiva contra Erika Hilton revela uma contradição histórica: enquanto parlamentares utilizam o discurso de proteção às mulheres para justificar ataques financiados, o histórico do grupo mostra uma resistência sistemática às pautas femininas, incluindo a tentativa de obstruir a própria criação da Comissão da Mulher em 2016. 

“Tentaram transformar em uma distração aquilo que de fato era importante, prioritário para a Comissão da Mulher. Porque nós temos hoje um espectro no Brasil que não consegue compreender algumas condições”, afirmou.

Como pontua a Erika, essa cortina de fumaça serve para esconder a ausência de projetos reais para defender as mulheres e combater a violência de gênero, evidenciando uma política que prefere investir na destruição de uma adversária do que na proteção de milhões de brasileiras.

Autor

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *