Entenda quem é quem da “Turma” de Vorcaro, investigada pela Polícia Federal

A prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nesta quarta-feira (4), marcou um novo capítulo da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A terceira fase da investigação foi deflagrada em São Paulo e revelou detalhes de uma estrutura paralela de vigilância e intimidação que, segundo os investigadores, atuava sob o comando do banqueiro.

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Batizado informalmente de “A Turma”, o grupo é descrito pela corporação como um núcleo estruturado de monitoramento ilegal, obtenção de informações sigilosas e coerção privada, com atuação direcionada contra adversários, jornalistas, ex-funcionários e até autoridades públicas.

O que é “A Turma”

De acordo com a PF, o esquema investigado foi dividido em quatro núcleos de atuação. Um deles foi classificado como “núcleo de intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades”.

Dentro desse núcleo estaria a engrenagem chamada de “A Turma”, apontada como responsável por:

  • Obtenção ilegal de dados sigilosos
  • Monitoramento de pessoas consideradas críticas ao conglomerado
  • Antecipação de movimentações de investigações
  • Ações de remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais
  • Intimidação direta ou indireta de alvos

Segundo os documentos da investigação, a organização funcionava como uma espécie de estrutura privada de inteligência paralela, sem qualquer respaldo institucional.

Decisão do STF descreveu “A Turma” como estrutura usada para vigilância e intimidação de críticos – Foto: Reprodução/PF

Quem é quem na estrutura

Até o momento, duas figuras foram formalmente identificadas como integrantes centrais do grupo.

Marilson Roseno da Silva

O policial federal aposentado é apontado como “integrante relevante da estrutura paralela de monitoramento e intimidação”, sendo descrito nas apurações como líder da “Turma”.

De acordo com os investigadores, ele seria:

“um dos principais operadores desse núcleo de coerção, utilizando sua experiência e contatos decorrentes da carreira policial para auxiliar na obtenção de dados sensíveis e na realização de atividades de vigilância e monitoramento de alvos definidos pela organização criminosa”.

A atuação de Marilson estaria voltada especialmente para a obtenção de informações sigilosas capazes de antecipar ações de investigações policiais, de jornalistas ou de ex-funcionários considerados críticos às atividades do grupo.

Além da coleta de dados, ele também teria participação na execução direta das ações.

Luiz Phillippi Machado de Moraes Mourão, o “Felipe Mourão”

Apontado como peça-chave na engrenagem operacional, Luiz Phillippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” e citado nas investigações como “sicário”, seria responsável pela:

“coordenação de atividades voltadas à obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo”.

Segundo a PF, Mourão realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança e investigação.

A autoridade policial sustenta que ele teria obtido acesso indevido a sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como o Federal Bureau of Investigation (FBI) e a Interpol.

Além disso, o investigado também teria atuado:

  • Na remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais
  • Na obtenção de dados de usuários
  • Na coordenação e mobilização de equipes envolvidas nas ações
  • Na intimidação de antigos funcionários do Master

A PF afirma ainda que Mourão teria desempenhado papel ativo no levantamento de dados sobre ex-integrantes do banco considerados problemáticos para os interesses do grupo.

O núcleo financeiro: quem pagava a estrutura

As investigações também apontam a participação de outras duas pessoas na engrenagem da “Turma”: Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, e Ana Claudia Queiroz de Paiva.

Segundo a apuração:

  • Fabiano seria responsável por garantir os recursos financeiros necessários para as atividades de monitoramento, coação e intimidação.
  • Ana Claudia atuaria na gestão e execução das transferências bancárias destinadas a custear as diligências de vigilância e coleta de informações.

De acordo com a PF, ambos comporiam o chamado núcleo financeiro, responsável por viabilizar a operação logística e operacional da estrutura paralela.

Operação Compliance Zero

A terceira fase da operação foi deflagrada em São Paulo, com cumprimento de mandados e apreensões de dispositivos eletrônicos. Novas mensagens atribuídas a Vorcaro teriam sido encontradas em celular com criptografia, ampliando o escopo das investigações.

Outras frentes da apuração também investigam:

  • Suposta “consultoria informal” de servidores do Banco Central ao empresário;
  • Entrega do cunhado de Vorcaro após não ser localizado inicialmente;
  • Novas provas digitais extraídas de aparelhos apreendidos.

A defesa dos citados ainda pode se manifestar nos autos.

A PF sustenta que o caso não envolve apenas crimes financeiros, mas também possíveis delitos de obstrução de justiça, invasão de sistemas, violação de sigilo funcional e associação criminosa.

Se confirmadas as suspeitas, a estrutura descrita como “A Turma” pode configurar um dos casos mais sensíveis recentes envolvendo uso indevido de aparato de inteligência e acesso a sistemas restritos para fins privados.

A investigação segue em curso.

O que diz a defesa de Vorcaro

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro negou as acusações e afirmou que o empresário sempre colaborou com as autoridades. A íntegra da manifestação diz:

“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.
A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.
Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”

A defesa sustenta que, ao longo do processo, ficará comprovada a legalidade da atuação do empresário e reforça a confiança no devido processo legal.

Autor

  • Nicolas Pedrosa

    Jornalista formado pela UNIP, com experiência em TV, rádio, podcasts e assessoria de imprensa, especialmente na área da saúde. Atuou na Prefeitura de São Vicente durante a pandemia e atualmente gerencia a comunicação da Caixa de Saúde e Pecúlio de São Vicente. Apaixonado por leitura e escrita, desenvolvo livros que abordam temas sociais e histórias de superação, unindo técnica e sensibilidade narrativa.

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