Cinco dias após sua cerimônia de posse no Palácio do Planalto, à qual compareceram principalmente representantes de movimentos sociais ligados à esquerda, o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, discursou nesta segunda-feira (03) a uma plateia muito menor, de empresários e executivos de grandes empresas em Brasília.
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Durante um encontro com empresários e representantes de grandes marcas, como iFood e Uber, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência reforçou seu interesse em avançar com um projeto de lei que garanta maior proteção aos entregadores de aplicativos. Ao abordar o cenário econômico, o ministro fez críticas ao discurso do setor financeiro, afirmando que “até o FMI já fala que o caminho não é a austeridade, e a Faria Lima ainda está com o discurso do FMI dos anos 1990”.
O evento foi organizado pelo think tank Esfera, presidido pelo empresário João Camargo, que promove eventos nos quais reúne autoridades e grandes empresas para discutir políticas públicas. Nos bastidores, a presença de Guilherme Boulos foi interpretada como um movimento estratégico de Camargo para aproximar o setor empresarial de uma das principais lideranças políticas cotadas como possível sucessor do presidente Lula nas eleições de 2030, sinalizando um esforço de diálogo e entendimento entre diferentes setores.
Durante o jantar, o novo ministro conversou com representantes de plataformas digitais cuja regulamentação defende.
“O que as plataformas fazem, a Uber, iFood, 99, qualquer uma delas? Intermediação tecnológica (…). Essa intermediação tem significado ganhos muito excessivos em relação ao trabalhador, que, a cada viagem, tem uma parcela retida pelas empresas de tecnologia, sendo que quem paga o tanque de gasolina é ele; quem troca o pneu é ele. Tem que ter garantia de direito para esse trabalhador. Então esse é um tema que o presidente Lula também me pediu, junto com o ministro Luiz Marinho ajudar a tratar com os trabalhadores.” — afirmou o novo ministro logo na chegada ao evento.
Boulos também elogiou o projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso em 2024 que trata da regulamentação dos motoristas de aplicativos e disse que vai buscar, agora, desenvolver uma regulamentação que chegue aos entregadores de plataformas digitais.
“Quando a gente fala de regulamentação, é ouvindo a categoria, garantindo as condições de flexibilidade que esses trabalhadores demandam, mas ao mesmo tempo garantindo direitos, seguro em relação a acidente, garantias de seguridade social, garantias de remuneração mínima. (…) Hoje, se um motoqueiro se acidenta, a plataforma, o iFood, a 99 ou qualquer outra não têm responsabilidade por isso.” — comentou o ministro.
Nos bastidores, as plataformas têm afirmado que as conversas com o governo federal esbarram no engessamento da relação com os entregadores e resistem a aumentos de custo que, em seus argumentos, citam a dificuldade para a sobrevivência desse modelo de negócio com possível taxa a ser aplicada.









