Dino vota pela condenação de Bolsonaro e mais sete por tentativa de golpe; placar é de 2 a 0

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta terça-feira (9) pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus por tentativa de golpe de Estado. Com o voto de Dino, o julgamento na Primeira Turma da Corte registra placar de 2 a 0 favorável à condenação.

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O relator do caso, Alexandre de Moraes, já havia se posicionado da mesma forma, afirmando que os réus integravam o núcleo crucial da trama golpista — uma organização criminosa que buscou manter Bolsonaro no poder e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Dino fez uma ressalva sobre as penas: considerou que Alexandre Ramagem, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira devem receber punições menores, devido à menor participação deles na trama.

Além de Dino e Moraes, os ministros da Turma — Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente do colegiado — ainda precisam se posicionar. A expectativa é que o julgamento seja concluído até sexta-feira (12). Como a Turma tem cinco ministros, três votos pela condenação formam maioria.

O voto de Flávio Dino

Ao iniciar seu voto, Dino destacou a importância de a Constituição estar preparada para enfrentar ameaças internas:

“Ela surge para evitar os cavalos de Tróia, pelos quais, no uso das liberdades democráticas, se introduzem vetores de destruição dela própria.”

O ministro reforçou que o julgamento segue parâmetros normais:

“Esse julgamento não é excepcional, não é um julgamento diferente dos que nossos colegas fazem país afora.”

Dino também enfatizou que crimes contra o Estado Democrático de Direito são imprescritíveis e não podem ser objeto de indulto ou anistia:

“Esses crimes já foram declarados pelo plenário do Supremo Tribunal Federal como insuscetíveis de indulto, de anistia. Não cabe falar em extinção da punibilidade.”

O voto de Alexandre de Moraes

O relator votou pela condenação de Bolsonaro e outros sete réus pelos crimes de:

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Tentativa de golpe de Estado

Em relação aos crimes de dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, Moraes votou pela condenação de sete acusados. A única exceção foi o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), cuja tramitação foi suspensa pela Câmara dos Deputados nesses pontos.

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Segundo Moraes, Bolsonaro — atualmente preso em regime domiciliar — liderou uma organização criminosa com projeto autoritário, agindo para impedir a posse do presidente eleito.

Provas apresentadas por Moraes

O relator descreveu uma cronologia de atos que comprovam a tentativa de golpe:

  • Live de julho de 2021: Bolsonaro atacou as urnas sem provas. “A live foi mais um ato executório.”
  • Reunião ministerial de julho de 2022: encontrada no computador de Mauro Cid, foi classificada como confissão de integrantes.
  • Reunião com embaixadores (julho de 2022): Moraes chamou o encontro de “entreguismo” e tentativa de retorno à posição de colônia.
  • Operações da PRF no 2º turno de 2022: dirigidas contra eleitores de Lula, mostrando “absurdo total” da conduta.
  • Plano Punhal Verde e Amarelo: documento de novembro de 2022 previa neutralizar autoridades. Moraes ironizou: “Não é crível achar que o general foi ao Alvorada e fez barquinho de papel com o plano.”
  • Áudio de Mário Fernandes a Mauro Cid: Bolsonaro teria anuído com ações golpistas até a diplomação.
  • Minutas de decreto golpista: indicavam que a organização “já tinha decidido pelo golpe — só faltava definir os termos.”
  • Atos violentos: bomba em caminhão no Natal de 2022, ataques de 12 de dezembro e a invasão de 8 de janeiro foram citados como escalada.

“Estamos esquecendo que o Brasil quase voltou a uma ditadura de 20 anos porque um grupo político não soube perder as eleições”, afirmou Moraes.

Denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR)

A PGR aponta que Bolsonaro e os demais réus cometeram cinco crimes, com as respectivas penas:

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito: 4 a 8 anos
  • Golpe de Estado: 4 a 12 anos
  • Organização criminosa: 3 a 8 anos
  • Dano qualificado: 6 meses a 3 anos
  • Deterioração de patrimônio tombado: 1 a 3 anos

Próximos passos do julgamento

Após os votos de Alexandre de Moraes e Flávio Dino, a Primeira Turma do STF segue com o julgamento de Bolsonaro e outros sete réus. Os três ministros restantesLuiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente da Turma — ainda precisam se posicionar.

O julgamento deve continuar amanhã (10), quando os próximos votos serão apresentados. A expectativa é que a decisão final seja conhecida até sexta-feira (12), considerando que três votos pela condenação já formam maioria na Turma.

Autor

  • Nicolas Pedrosa

    Jornalista formado pela UNIP, com experiência em TV, rádio, podcasts e assessoria de imprensa, especialmente na área da saúde. Atuou na Prefeitura de São Vicente durante a pandemia e atualmente gerencia a comunicação da Caixa de Saúde e Pecúlio de São Vicente. Apaixonado por leitura e escrita, desenvolvo livros que abordam temas sociais e histórias de superação, unindo técnica e sensibilidade narrativa.

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