Delegado da PF que investigou Bolsonaro e 8 de Janeiro vira assessor de Moraes no STF

O delegado da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor, conhecido por sua atuação em investigações sensíveis envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, foi nomeado para integrar o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi formalizada por meio de portaria assinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e publicada nesta terça-feira (10) no Diário Oficial da União.

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A nomeação coloca o delegado diretamente no núcleo de assessoria de um dos ministros mais influentes da Suprema Corte, responsável por relatar diversos processos de grande repercussão nacional, especialmente aqueles ligados às investigações sobre tentativas de ruptura institucional e crimes contra o Estado democrático de direito.

Especialista em contrainteligência, Fábio Shor construiu sua trajetória na Polícia Federal participando de investigações consideradas estratégicas para o sistema de justiça brasileiro. Entre elas estão os inquéritos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo a apuração sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, a suposta trama de tentativa de golpe de Estado e o chamado caso das joias sauditas.

No episódio das joias recebidas pelo governo brasileiro, a investigação buscou esclarecer a entrada irregular de itens de alto valor no país. O caso teve novo desdobramento recentemente, quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou o arquivamento da apuração.

Já na investigação sobre a tentativa de golpe, Shor assinou, ao lado de outra delegada da Polícia Federal, o relatório de indiciamento que apontou o ex-presidente e outras 36 pessoas como envolvidos na articulação. A denúncia apresentada posteriormente pela PGR levou à condenação de Bolsonaro pelo STF, com pena fixada em 27 anos e três meses de prisão.

Outro ponto relevante da atuação do delegado foi sua participação na coleta de depoimentos do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.

Cid firmou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal, no qual prestou uma série de declarações consideradas fundamentais para o avanço das investigações sobre o entorno do ex-presidente e possíveis articulações contra o resultado das eleições de 2022.

Fábio Shor foi um dos responsáveis por conduzir os depoimentos do militar, etapa vista como crucial para consolidar elementos de prova em diferentes inquéritos que tramitaram no Supremo Tribunal Federal.

Além dos casos ligados diretamente ao ex-presidente, o delegado também integrou a equipe responsável pela investigação do episódio conhecido como “Abin Paralela”.

A apuração buscou esclarecer o suposto uso indevido da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitoramento irregular de autoridades públicas, adversários políticos e outras figuras consideradas estratégicas pelo governo Bolsonaro.

Segundo as investigações, sistemas e estruturas da agência teriam sido utilizados para coleta de dados sem autorização judicial, o que levantou suspeitas de desvio de finalidade em atividades de inteligência do Estado.

Com a nomeação oficializada, Fábio Shor passa a atuar como assessor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, função que inclui apoio técnico na análise de processos, elaboração de relatórios e acompanhamento de ações criminais sob relatoria do magistrado.

No STF, os assessores desempenham papel importante no apoio jurídico e na organização das decisões do ministro, auxiliando na triagem de processos, na pesquisa jurídica e na preparação de despachos e votos.

A chegada do delegado ao Supremo ocorre em um momento em que o gabinete de Moraes concentra alguns dos processos mais relevantes relacionados à defesa da ordem democrática no país.

A nomeação também acontece em um contexto de forte exposição pública do ministro Alexandre de Moraes, após reportagens apontarem que o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, teria enviado mensagens ao magistrado em 17 de novembro de 2025, poucas horas antes de ser preso pela primeira vez.

Diante da repercussão, o ministro negou ter sido o destinatário das mensagens, conforme nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal.

Outro ponto que chamou atenção foi o fato de o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, ter sido contratado pelo Banco Master para prestar serviços jurídicos.

Em manifestação pública, o escritório informou que “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal”.

Segundo a nota, a contratação ocorreu entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período em que o escritório teria prestado consultoria e atuação jurídica ampla ao banco, sem relação com processos na Suprema Corte.

A chegada de Fábio Shor ao STF reforça o movimento de aproximação entre investigações conduzidas pela Polícia Federal e a tramitação de processos no Supremo, especialmente em casos que envolvem crimes contra instituições democráticas e autoridades de alto escalão.

Nos últimos anos, o tribunal tem assumido papel central na condução de investigações de grande impacto político, tornando o gabinete de ministros como Alexandre de Moraes um dos epicentros das decisões que moldam o cenário institucional brasileiro.

Nesse contexto, a presença de um delegado com experiência direta em investigações complexas e sensíveis pode contribuir para fortalecer a análise técnica de processos criminais que seguem sob responsabilidade do STF.

Autor

  • Nicolas Pedrosa

    Jornalista formado pela UNIP, com experiência em TV, rádio, podcasts e assessoria de imprensa, especialmente na área da saúde. Atuou na Prefeitura de São Vicente durante a pandemia e atualmente gerencia a comunicação da Caixa de Saúde e Pecúlio de São Vicente. Apaixonado por leitura e escrita, desenvolvo livros que abordam temas sociais e histórias de superação, unindo técnica e sensibilidade narrativa.

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