O grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou a convocação de autoridades e do banqueiro Daniel Vorcaro para prestar esclarecimentos sobre o Caso Master, investigação que apura supostas irregularidades financeiras que culminaram na liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025.
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A decisão foi tomada em reunião, nesta terça-feira (10), no âmbito das ações de acompanhamento das apurações conduzidas por órgãos de controle e investigação. Os convites incluem representantes das principais instituições responsáveis pela supervisão do sistema financeiro nacional, além de ex-dirigentes ligados ao banco e a órgãos reguladores.
Entre os nomes convidados a prestar informações estão:
- Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master
- Otto Lobo, presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
- Vital do Rêgo, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU)
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
- Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal
- Ailton de Aquino Santos, diretor do Banco Central
- Paulo Sergio de Souza, ex-diretor do Banco Central
- Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB)
- Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master
Os convidados não têm obrigação legal de comparecer, mas a expectativa dos parlamentares é reunir elementos que permitam compreender a dimensão das irregularidades apontadas nas investigações.
Além das oitivas, os senadores solicitaram formalmente envio de documentos e informações técnicas aos órgãos públicos que atuam no caso, buscando consolidar dados financeiros, relatórios de fiscalização e registros de operações suspeitas.
O Caso Master ganhou repercussão nacional após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição, medida aplicada quando há comprometimento grave da solvência ou indícios de irregularidades estruturais.
Segundo investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, o grupo ligado ao banco é suspeito de operar um esquema complexo de fraudes financeiras de grande escala. Entre os crimes investigados estão:
- gestão fraudulenta de instituição financeira
- lavagem de dinheiro
- organização criminosa
- manipulação de mercado
O núcleo das suspeitas envolve a criação e comercialização de “carteiras de crédito fictícias”, que teriam sido negociadas com outras entidades financeiras e investidores, gerando prejuízos bilionários e distorcendo demonstrações contábeis.
Investigadores avaliam que o modelo teria sido estruturado para simular ativos inexistentes e inflar artificialmente a saúde financeira do banco, o que teria permitido captar recursos e ampliar operações sem lastro real.
O grupo de trabalho pretende ampliar o acesso a informações protegidas por sigilo institucional. Está prevista reunião com o diretor-geral da Polícia Federal e com o presidente do Supremo Tribunal Federal para discutir o compartilhamento de dados de investigações relacionadas.
Entre os materiais solicitados estão elementos de operações anteriores ao inquérito principal, incluindo a investigação conhecida como Carbono Oculto, que pode apresentar conexões com o esquema analisado.
Na semana anterior, parlamentares da CAE reuniram-se com o presidente do Banco Central e com o presidente do TCU para discutir a cooperação entre os órgãos. Segundo o presidente da comissão, senador Renan Calheiros, houve sinalização positiva para o compartilhamento de informações técnicas e relatórios de fiscalização.
Os pedidos formais já foram protocolados e entregues diretamente às chefias das instituições envolvidas.
Além das oitivas individuais, o Senado aprovou a realização de audiência pública para debater os impactos sistêmicos do Caso Master, com participação de especialistas em regulação financeira, acadêmicos e representantes da CVM.
A intenção é avaliar não apenas as responsabilidades específicas do caso, mas também eventuais fragilidades na supervisão do sistema financeiro e mecanismos de prevenção a fraudes estruturadas.
O avanço das investigações e a atuação do Senado indicam uma fase de maior escrutínio institucional sobre o episódio. A apuração pode resultar em responsabilização administrativa, civil e penal dos envolvidos, além de eventuais propostas de mudanças regulatórias.
As oitivas ainda não têm datas confirmadas, mas devem ocorrer nas próximas semanas, conforme agenda da comissão e disponibilidade dos convidados.
O Caso Master permanece sob investigação de múltiplos órgãos e é considerado um dos episódios mais relevantes recentes envolvendo o sistema financeiro brasileiro, tanto pelo volume estimado de prejuízos quanto pela complexidade das operações suspeitas.









