O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, iniciou nesta quinta-feira (5) um período de isolamento de dez dias na Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo. A medida faz parte do protocolo padrão aplicado a detentos recém-chegados ao sistema prisional paulista.
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Vorcaro foi transferido para a unidade prisional na manhã desta quinta-feira (05), após passar pelo Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos. A transferência foi realizada em um veículo da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), poucas horas depois de o banqueiro dar entrada no sistema carcerário.
A prisão ocorreu na quarta-feira (4), em São Paulo, durante uma nova fase de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e aliados do grupo empresarial.
De acordo com as investigações, a nova etapa da operação revelou a existência de um complexo sistema de espionagem e intimidação contra adversários, além de suspeitas de acesso ilegal a bases de dados sigilosas e possível corrupção envolvendo servidores públicos.
Entre os principais pontos levantados pela investigação estão:
- A existência de uma “milícia privada” chamada “A Turma”, supostamente utilizada para intimidar, monitorar e pressionar opositores do grupo investigado;
- Um plano para atacar o jornalista Lauro Jardim, conhecido por reportagens sobre bastidores políticos e econômicos;
- Acesso irregular a sistemas de instituições nacionais e internacionais, incluindo bases de dados da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol;
- Envolvimento de dois servidores do Banco Central, suspeitos de receber vantagens indevidas em troca do repasse antecipado de informações estratégicas ao Banco Master.
As autoridades apontam que o esquema poderia ter movimentado valores bilionários e operado com alto grau de organização, incluindo ações de monitoramento, coleta ilegal de dados e possíveis práticas de corrupção institucional.
Ao chegar à Penitenciária II de Potim, Vorcaro foi submetido ao chamado procedimento de inclusão, etapa inicial obrigatória para todos os detentos que ingressam no sistema penitenciário paulista.
Durante essa fase, que dura aproximadamente dez dias, são realizados protocolos administrativos, de segurança e de saúde, destinados a registrar oficialmente o preso e avaliar sua condição física e psicológica.
Entre os procedimentos aplicados estão:
- Revista pessoal e inspeção de objetos;
- Higienização obrigatória do detento;
- Corte de cabelo no padrão exigido pela unidade prisional;
- Registro fotográfico e coleta de impressões digitais;
- Substituição das roupas civis pelo uniforme do sistema penitenciário, composto por calça caqui e camiseta branca.
No momento da transferência para Potim, Vorcaro já vestia o uniforme fornecido pela Secretaria da Administração Penitenciária.
Objetos pessoais considerados incompatíveis com o ambiente prisional ficam sob custódia da administração do presídio, sendo guardados até eventual liberação ou transferência do detento.
Além dos procedimentos administrativos, o preso também passa por avaliação médica obrigatória, que deve ocorrer em até 48 horas após sua entrada na unidade. O exame faz parte do processo de admissão e visa identificar possíveis problemas de saúde ou necessidades de atendimento médico.
O detento ainda participa de entrevistas com equipes técnicas responsáveis pela segurança, disciplina e reintegração social, que analisam o perfil do preso e auxiliam na definição de sua alocação dentro da unidade.
Após o período inicial de inclusão, tem início o chamado regime de observação, etapa intermediária que pode durar até 20 dias.
Nesse estágio, dependendo da estrutura do presídio, o detento pode permanecer em cela separada do restante da população carcerária, enquanto as autoridades penitenciárias avaliam seu comportamento e riscos de convivência.
Durante o regime de observação, o preso tem direito a até duas horas diárias de banho de sol, normalmente em horário diferente do utilizado pelos demais detentos.
Atividades de trabalho e estudo ainda não são autorizadas nessa fase, já que o período é destinado à adaptação do preso à rotina do sistema penitenciário e à avaliação por parte da administração da unidade.
Mesmo durante o isolamento inicial, o detento mantém direitos previstos na legislação, como o contato com advogados e a possibilidade de receber visitas previamente autorizadas, conforme decisão da direção da penitenciária.
Concluídas as etapas de inclusão e observação, o preso passa a integrar definitivamente o pavilhão do regime fechado, onde passa a seguir a rotina regular do presídio.
A Penitenciária II de Potim foi inaugurada em 2002 e possui capacidade oficial para 844 detentos. De acordo com dados do sistema penitenciário paulista, a unidade abriga atualmente cerca de 472 presos, número abaixo da capacidade máxima.
Nos últimos anos, o presídio passou por mudanças no perfil de custodiados e passou a receber presos envolvidos em casos de grande repercussão nacional, sobretudo após ajustes na distribuição de detentos dentro da rede prisional do estado.
A investigação que levou à prisão de Daniel Vorcaro segue em andamento, e novas fases da operação não estão descartadas pelas autoridades, que continuam analisando documentos, movimentações financeiras e eventuais conexões com outros agentes públicos e privados.








