Cada vez mais empresas estão trocando a compra de equipamentos por modelos de locação ou assinatura, em um movimento que se espalha por diferentes setores da economia. Embora muitas vezes passe despercebida, essa mudança já faz parte do cotidiano, de máquinas de café em padarias a equipamentos hospitalares usados dentro de casa.
Em postos de combustível, painéis eletrônicos costumam ser alugados. Em hotéis, academias operam com aparelhos fornecidos por terceiros. Em shopping centers, veículos elétricos utilizados por equipes de segurança seguem a mesma lógica. Na prática, os estabelecimentos focam na operação, enquanto a gestão e a manutenção dos equipamentos ficam com empresas especializadas.
LEIA TAMBÉM: Energia solar dispara no Brasil e transforma forma de consumir eletricidade
O avanço acompanha uma tendência global. Segundo a consultoria Fortune Business Insights, o mercado mundial de locação de equipamentos deve superar 50 bilhões de dólares até 2026, impulsionado pela busca por redução de custos e maior flexibilidade.
No Brasil, o movimento ganha força em setores como construção, tecnologia, saúde e serviços. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos indicam que o aluguel de máquinas tem se consolidado como alternativa à compra, especialmente em cenários de juros elevados e necessidade de preservar caixa.
Na área de tecnologia, a tendência segue o mesmo caminho. A Associação Brasileira das Empresas de Software aponta o crescimento de modelos baseados em assinatura, impulsionados pela digitalização e pela necessidade de atualização constante de equipamentos e sistemas.
Ao mesmo tempo, ainda há desafios na gestão dessas operações. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria, divulgado em 2026, mostra que mais de 60% das empresas têm dificuldades para integrar sistemas e acompanhar suas atividades em tempo real, o que abre espaço para soluções mais integradas.
Nesse cenário, a locação deixa de ser apenas uma alternativa financeira e passa a ser uma estratégia operacional. Ao contratar equipamentos por assinatura, empresas reduzem o investimento inicial e transferem ao fornecedor a responsabilidade por manutenção, atualização e suporte técnico.
Segundo Rafael Rosa, a mudança está ligada à forma como empresas e consumidores enxergam a posse de bens.
“Muitas vezes o cliente não quer ser dono do equipamento, ele quer que aquilo funcione. Quando a empresa aluga, ela transfere a responsabilidade de manutenção, troca e suporte para quem é especialista e consegue focar no próprio negócio”, afirma.
A Eloca desenvolve um sistema de gestão voltado para locadoras de equipamentos, que centraliza e organiza a operação em um único ambiente. A plataforma permite controlar contratos, faturamento, estoque, manutenções e atendimentos, além de integrar as atividades realizadas em campo por meio de aplicativos conectados ao ERP.
Na prática, o modelo aparece em situações comuns do dia a dia. Hotéis podem operar academias com equipamentos alugados, cafeterias utilizam máquinas fornecidas por terceiros e shopping centers contratam veículos elétricos para equipes de segurança sem precisar adquirir os ativos.
O mesmo acontece dentro das empresas, que cada vez mais utilizam notebooks, impressoras e ferramentas por assinatura. Em vez de investir na compra, o contrato passa a incluir uso, manutenção e substituição quando necessário.
Para Rafael Rosa, a tendência não significa o fim da compra, mas uma mudança de lógica.
“Nem tudo será por assinatura, mas tudo que puder ser acesso tende a seguir esse caminho. As empresas querem menos preocupação com ativos e mais foco na experiência que entregam”, diz.
Com o avanço da digitalização e a necessidade de reduzir custos operacionais, a expectativa é que o modelo de locação continue crescendo, principalmente em atividades em que os equipamentos são caros, exigem manutenção frequente ou precisam ser atualizados com rapidez.








