Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos, na madrugada de sábado. A escolha da vice-presidente executiva como chefe do Executivo foi confirmada pelo Tribunal Supremo de Justiça venezuelano e reconhecida pelas Forças Armadas, abrindo um novo e tenso capítulo da crise política no país.
A decisão do Supremo determinou que Rodríguez exerça temporariamente todas as atribuições presidenciais por até 90 dias, com o objetivo de garantir a continuidade administrativa do Estado enquanto a situação jurídica de Maduro é analisada. Segundo a Constituição venezuelana, em casos de ausência do presidente, cabe à vice assumir o comando do país.
Ao mesmo tempo em que foi mantida no poder pelas instituições venezuelanas, Delcy Rodríguez passou a ser tratada por Washington como uma liderança “aceitável” no curto prazo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a vice de Maduro foi escolhida como interlocutora em um cenário pós-captura, mas deixou claro que sua permanência dependerá do grau de cooperação com as exigências americanas.
Trump declarou que Rodríguez pagará um “preço muito alto” caso não atenda às demandas dos Estados Unidos, sugerindo que as consequências podem ser ainda mais severas do que as enfrentadas por Maduro. Segundo ele, houve contatos preliminares entre a nova presidente interina e o secretário de Estado, Marco Rubio, indicando a possibilidade de diálogo, embora o tom público da líder chavista tenha sido de enfrentamento.
Confira “Filhos do Silêncio” de Andrea dos Santos: Trump escolhe Delcy Rodríguez como nova líder da Venezuela, mas ameaça se não cumprir exigênciasFigura central do chavismo
Delcy Eloína Rodríguez Gómez, de 55 anos, é uma das principais figuras do chavismo. Advogada formada pela Universidade Central da Venezuela, ela ocupa cargos de alto escalão no governo desde 2003, ainda durante a gestão de Hugo Chávez. Ao longo de mais de duas décadas, construiu uma trajetória marcada por forte presença política e discurso combativo contra pressões externas.
Filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista morto sob custódia policial em 1976, Delcy também é irmã de Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional e um dos principais articuladores do regime. Essa ligação familiar reforçou sua posição no núcleo duro do poder venezuelano.
Rodríguez já foi ministra da Comunicação e Informação, ministra das Relações Exteriores, presidente da Assembleia Nacional Constituinte e, desde 2018, vice-presidente executiva da República. Mais recentemente, acumulava também as pastas do Petróleo e da Economia, tornando-se a principal autoridade econômica do país.
Reconhecida por sua atuação firme em fóruns internacionais, ela foi uma das vozes mais duras do governo Maduro contra sanções impostas pelos Estados Unidos, União Europeia e outros países. Desde 2018, é alvo de medidas como congelamento de ativos e restrições de viagem, sob acusações de corrupção e violações de direitos humanos.
LEIA MAIS: China pede que os EUA libertem imediatamente Nicolás Maduro e desistam de derrubar o governo da Venezuela: Trump escolhe Delcy Rodríguez como nova líder da Venezuela, mas ameaça se não cumprir exigênciasConfronto com os Estados Unidos
Em sua primeira manifestação após a captura de Maduro, Delcy Rodríguez pediu calma à população, classificou a ação americana como um “sequestro” e afirmou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”. Em reuniões com o Conselho de Defesa Nacional, exigiu a libertação imediata de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e acusou Washington de violar o direito internacional e a soberania do país.
Apesar das declarações públicas de confronto, analistas internacionais avaliam que sua ascensão pode fazer parte de um arranjo provisório para administrar a transição em meio ao vácuo de poder. Para esses especialistas, Rodríguez atua como uma liderança de linha-dura, mas com capacidade operacional e influência sobre todo o aparato governamental, inclusive as Forças Armadas.
Enquanto a oposição venezuelana volta a defender eleições livres como saída para o impasse, aliados do chavismo sustentam que a posse interina é legal e constitucional. O governo brasileiro, por sua vez, informou que reconhece Delcy Rodríguez como presidente interina e defende uma solução política pacífica que preserve a estabilidade regional.
Entre ameaças explícitas de Trump e discursos de resistência em Caracas, Delcy Rodríguez emerge como a principal face do chavismo em um dos momentos mais delicados da história recente da Venezuela, pressionada simultaneamente por forças internas, sanções internacionais e pela ofensiva direta dos Estados Unidos.
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