Em meio à persistência do conflito armado entre Rússia e Ucrânia, os dois países concluíram nesta quinta-feira (2) uma nova troca de prisioneiros de guerra. Segundo os ministérios da Defesa de ambos os governos, foram libertados 185 militares e 20 civis de cada lado, totalizando 410 pessoas repatriadas. A operação foi realizada com apoio logístico da Bielorrússia e da Turquia, que atuam como mediadores informais desde o início das negociações em Istambul.
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A troca foi anunciada simultaneamente por Moscou e Kiev. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que “a maioria dos nossos soldados estava em cativeiro desde 2022 e agora finalmente está em casa”. Já o Ministério da Defesa russo declarou que os prisioneiros libertados estão recebendo atendimento médico e psicológico em centros especializados na região de Smolensk.
Apesar da continuidade dos combates, as trocas de prisioneiros têm sido o único resultado concreto dos três ciclos de negociações de paz realizados em Istambul, o último deles em julho de 2025.
Panorama do conflito: território, baixas e ofensivas
A guerra, iniciada em fevereiro de 2022 com a invasão russa em larga escala, já provocou mais de 1,2 milhão de mortos e feridos, segundo estimativas do Departamento de Estado dos EUA. A Rússia mantém controle sobre cerca de 20% do território ucraniano, incluindo as regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, anexadas por decreto presidencial em setembro de 2022.
Nos últimos meses, a Ucrânia intensificou ataques a infraestruturas militares dentro do território russo, enquanto Moscou ampliou o uso de drones e mísseis em ofensivas aéreas contra cidades ucranianas. Ambos os lados negam ter como alvo civis, embora milhares tenham morrido desde o início do conflito.
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Para Fiona Hill, pesquisadora sênior do Brookings Institution e ex-conselheira de segurança nacional dos EUA, “a troca de prisioneiros é um gesto humanitário que também serve como termômetro da disposição dos países em manter canais mínimos de comunicação. Não significa paz, mas pode abrir espaço para futuras negociações”.
O cientista político russo Fyodor Lukyanov, editor da revista Russia in Global Affairs, avalia que “essas trocas são importantes para a moral das tropas e para a opinião pública interna. Elas mostram que, mesmo em guerra, há regras sendo respeitadas”.
Perspectivas para o futuro
Embora a troca represente um avanço humanitário, não há sinais concretos de que o conflito esteja próximo do fim. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado por um acordo de paz, mas as negociações permanecem estagnadas desde julho.
A guerra entra em seu quarto ano, com impactos profundos na economia, na segurança regional e na vida de milhões de civis. A troca de prisioneiros, embora limitada, reacende a esperança de que o diálogo, ainda que tímido, permanece possível.










