A Rússia declarou nesta segunda-feira, 22 de dezembro de 2025, que as conversas com os Estados Unidos para pôr fim à guerra na Ucrânia avançam de forma “lenta e insuficiente”. O vice-ministro das Relações Exteriores, Serguei Riabkov, afirmou que “observa-se avanços lentos, acompanhados por tentativas extremamente prejudiciais e maliciosas por parte de um influente grupo de Estados que buscam sabotar o processo diplomático”.
LEIA TAMBÉM: Natal: Paulistanos planejam gastar R$ 500 com presentes, diz FecomercioSP
Moscou acusa diretamente países europeus de minar as propostas americanas e de pressionar Kiev a rejeitar termos que poderiam encerrar o conflito.
As negociações, conduzidas sob mediação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm se mostrado infrutíferas. Trump, que assumiu em janeiro com a promessa de encerrar o conflito em apenas 24 horas, vem alternando sua postura entre apoio a Kiev e aproximação com Moscou.
Relações entre os países
Na última semana, em Miami, uma nova rodada de conversas terminou sem avanços concretos. A Casa Branca insiste que está comprometida com a paz, mas enfrenta críticas internas e externas pela falta de resultados.
O presidente russo, Vladimir Putin, também elevou o tom ao afirmar que a Rússia poderá “tomar mais terras na Ucrânia” caso Kiev e líderes europeus não aceitem as propostas de paz apresentadas pelos Estados Unidos.
Atualmente, Moscou controla cerca de 19% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e partes das regiões de Donbas, Kherson e Zaporizhzhia. Putin acusou os países europeus de “buscar a destruição da Rússia” e rejeitou qualquer ameaça contra membros da OTAN.
Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky anunciou que documentos preliminares de garantias de segurança foram preparados com os EUA. Entre as propostas estão a manutenção de um exército de 800 mil soldados e reparações de US$ 100 bilhões por parte da Rússia — exigências rejeitadas por Moscou. Zelensky também pediu cessar-fogo para permitir eleições em meio ao conflito.
Confira “Filhos do Silêncio” de Andrea dos Santos
Ataques recentes deixaram mais de um milhão de casas sem energia na Ucrânia, e um atentado em Moscou matou o tenente-general Fanil Sarvarov, um dos oficiais mais graduados das Forças Armadas russas. O episódio expôs vulnerabilidades internas e deve provocar resposta dura de Putin.
Impacto na segurança energética europeia
O prolongamento da guerra tem efeitos diretos sobre a matriz energética da Europa. Desde 2022, o continente reduziu drasticamente sua dependência do gás russo, mas ainda enfrenta vulnerabilidades. Em 2025, os preços da energia voltaram a subir após ataques russos a infraestrutura ucraniana, que deixaram mais de um milhão de casas sem eletricidade.
A instabilidade pressiona governos europeus a acelerar investimentos em fontes renováveis e acordos com fornecedores alternativos, como Noruega, Catar e Estados Unidos.
Ao responsabilizar a Europa pelo impasse, Moscou tenta explorar divergências internas entre países mais dependentes da energia russa e aqueles que defendem sanções mais duras.
Equilíbrio militar da OTAN
O impasse diplomático também afeta o equilíbrio militar da OTAN. A aliança reforçou sua presença no leste europeu, com exercícios conjuntos e envio de tropas adicionais para Polônia e países bálticos. Putin, ao negar intenção de atacar a Europa, busca reduzir a pressão militar, mas suas ameaças de expandir o controle territorial na Ucrânia mantêm os aliados em alerta.
A acusação russa de sabotagem europeia, nesse contexto, funciona como instrumento de propaganda para enfraquecer a coesão da aliança.
O professor Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense, lembra que “negociações de paz desse porte podem durar anos ou décadas, e dependem não apenas da diplomacia, mas da situação militar e da vontade política das partes envolvidas”.









