Narges Mohammadi, iraniana que ganhou o Nobel da Paz em 2023, começou a fazer greve de fome na prisão nesta segunda-feira (2), informou sua organização nesta quarta-feira (4). Ela foi presa em dezembro de 2025 pelo regime Khamenei.
Em pronunciamento compartilhado com a TV norte-americana CNN Internacional, a Fundação Narges Mohammadi afirmou ter recebido informações confiáveis do início da greve de fome da ativista.
Segundo a fundação, sediada em Paris, Narges tomou essa atitude “em protesto contra sua detenção ilegal e as condições graves em que está sendo mantida, realidades enfrentadas por inúmeros presos políticos atualmente detidos no Irã”
A voz da luta
Narges Mohammadi, de 53 anos, é uma das líderes da luta histórica das mulheres no Irã contra a opressão do atual regime e as leis rígidas a iranianas.
Ela se tornou a grande voz da chamada revolução feminina do país do Oriente Médio em reação à morte de uma jovem presa por conta do uso incorreto do véu islâmico.
Em dezembro, a fundação denunciou que a ativista foi detida “violentamente” em Teerã, durante uma cerimônia em memória de um advogado de direitos humanos, que recentemente foi encontrado morto em circunstâncias controversas.
No comunicado compartilhado com a TV norte-americana, o filho de Narges, Ali Rahmani, disse estar “profundamente preocupado” com a mãe e acusou o regime do aiatolá Ali Khamenei de cometer “crimes contra a humanidade”.
Narges já foi presa diversas vezes pelo regime iraniano e havia sido libertada da prisão em caráter temporário, em dezembro de 2024, por questões de saúde.
Nos últimos meses, a equipe médica que cuida da ativista afirmou que “seu retorno à prisão poderia agravar seriamente seu bem-estar físico”.
Revolução feminina
Narges Mohammadi também se tornou a grande voz dos protestos no Irã desencadeados pela morte de Mahsa Amini em 2022, nos quais mulheres desafiaram abertamente o governo ao se recusarem a usar o hijab.
A jovem de 22 anos viajava de férias com a família pelo Irã quando foi abordada pela chamada polícia da moralidade, que fiscaliza o cumprimento das normas de vestimentas impostas a mulheres iranianas.
Ela foi presa por “uso incorreto” do véu, segundo a polícia iraniana. Dois dias depois, sob custódia policial, foi internada em estado grave, com lesões na cabeça, e morreu no hospital.
A morte desencadeou um dos maiores movimentos contra o regime do Irã, acusado de oprimir mulheres.
Como simbolismo, as mulheres começaram a retirar o véu (cujo uso, no Irã, é obrigatório) e queimá-lo em protestos.
“Neste regime autoritário, a voz das mulheres é proibida, o cabelo das mulheres é proibido (…) Não aceitarei o hijab obrigatório.
Mohammadi e outras três prisioneiras queimaram seus véus em memória do aniversário da morte de Amini e publicou um texto no Instagram, administrado por sua família, contra o véu obrigatório:









