Entenda os impasses que travam acordo de paz entre Ucrânia e Rússia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se no domingo (28) com o líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e afirmou que os dois lados estão “muito próximos” de um acordo para encerrar a guerra com a Rússia.

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Contudo, Trump não entrou em detalhes sobre como as partes pretendem resolver as questões mais sensíveis das negociações, que envolve concessões de territórios, usina nuclear, Otan e garantias de segurança.

Entenda, a seguir, alguns dos principais impasses nas negociações para o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Territórios ocupados

Atualmente, a Rússia controla cerca de 116 mil quilômetros quadrados do território ucraniano, o equivalente a uma fatia de 19,2% da porção territorial do país.

Isso representa cerca de 1,2 ponto percentual a mais do que há três anos, segundo mapas. As forças russas avançaram em 2025 no ritmo mais rápido desde 2022.

A Rússia afirma que a Crimeia, anexada por Moscou em 2014, as regiões de Donetsk e Luhansk, conhecidas em conjunto como Donbas, além de Zaporizhzhia e Kherson, agora fazem legalmente parte da Rússia. A maior parte da comunidade internacional diz que essas anexações são ilegais.

Porém, Moscou ainda não atingiu seu principal objetivo de tomar todo o Donbas e, nesta segunda-feira (29), reiterou a exigência de que as tropas de Kiev se retirem da área de Donetsk que ainda controlam, se o governo ucraniano realmente quiser a paz.

O Kremlin acrescentou que, caso Kiev não chegue a um acordo, a Ucrânia perderá ainda mais território. A Ucrânia rejeita a ideia de ceder territórios e afirma que quer que os combates sejam interrompidos ao longo das atuais linhas de frente.

Tanto Trump quanto Zelensky disseram no domingo que o futuro do Donbas ainda não foi definido, embora o presidente americano tenha afirmado que as discussões estão “avançando na direção certa”.

Em seu plano inicial de paz com 28 pontos, os Estados Unidos propuseram a criação de uma zona econômica livre caso a Ucrânia deixasse a área, embora ainda não esteja claro como tal funcionaria na prática.

A Rússia também não controla totalmente as regiões de Zaporizhzhia e Kherson, enquanto tomou pequenas partes das regiões de Kharkiv, Sumy, Mykolaiv e Dnipropetrovsk.

O jornal russo Kommersant informou que Putin disse que poderia estar aberto a trocar alguns territórios controlados pelas forças russas em outras partes da Ucrânia em troca de todo o Donbas.

Garantias de segurança

Desconfiada de garantias fracassadas de aliados no passado, a Ucrânia afirma precisar de garantias de segurança robustas para evitar um novo ataque russo.

Zelensky disse nesta segunda-feira que um esboço do marco de paz para encerrar a guerra prevê garantias de segurança dos EUA para a Ucrânia por 15 anos. Ele acrescentou que pediu a Trump garantias de até 50 anos.

Trump quer que a Europa assuma a maior parte da responsabilidade por quaisquer garantias, ainda que com respaldo dos EUA, embora a forma exata dessas garantias permaneça incerta. A Rússia, por exemplo, já declarou que qualquer envio de tropas internacionais à Ucrânia seria inaceitável.

A Rússia também exigiu limites ao tamanho do Exército ucraniano, proteção para falantes de russo e fiéis ortodoxos na Ucrânia, além da neutralidade do país.

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Kiev afirma que os falantes de russo são protegidos e que a Ucrânia segue a legislação da União Europeia (UE). De acordo com uma proposta ucraniana de paz com 20 pontos, o país manteria suas Forças Armadas no nível atual, com cerca de 800 mil integrantes.

Otan

Uma das exigências centrais de Putin para encerrar a guerra é que líderes ocidentais se comprometam, por escrito, a interromper a expansão para o leste da aliança militar liderada pelos EUA, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

As propostas inicias de paz dos EUA incluíam uma cláusula de que a Otan não se expandirá mais, que a Ucrânia inscreveria em sua Constituição que não ingressará na aliança e que a própria Otan incluiria em seus estatutos uma disposição impedindo a futura admissão ucraniana.

A Ucrânia teria acesso preferencial de curto prazo ao mercado europeu enquanto sua candidatura à União Europeia (UE) fosse analisada.

Segundo a proposta ucraniana de paz, os EUA, a Otan e países europeus forneceriam à Ucrânia garantias de segurança que espelhariam o Artigo 5 da aliança ocidental, conhecida como cláusula de defesa mútua.

Ativos russos

As propostas iniciais dos EUA afirmam que a Rússia, sob sanções ocidentais devido à guerra, seria reintegrada à economia global e convidada a voltar ao G8.

Os Estados Unidos disseram em suas propostas iniciais que firmariam um acordo de longo prazo com a Rússia para desenvolver “energia, recursos naturais, infraestrutura, inteligência artificial, centros de dados, projetos de extração de terras raras no Ártico e outras oportunidades corporativas mutuamente benéficas”.

Recentemente, os líderes da UE decidiram tomar empréstimos para conceder 90 bilhões de euros em empréstimos à Ucrânia, a fim de financiar sua defesa contra a Rússia pelos próximos dois anos.

Eles decidiram não usar os ativos russos congelados, evitando divergências acerca do plano de financiar a Ucrânia por meio de ativos soberanos russos.

Questões nucleares, eleições e negócios

Os avanços em direção à paz podem incluir a retomada de negociações entre Rússia e Estados Unidos sobre o controle de armas nucleares estratégicas.

O futuro da usina nuclear de Zaporizhzhia, localizada em território ucraniano controlado pela Rússia, permanece incerto.

Há especulações na mídia internacional de que a Rússia poderia oferecer a empresas dos EUA participações em seu vasto setor de recursos naturais.

Washington levantou a ideia de realizar eleições na Ucrânia. Putin afirma que a liderança de Zelensky perdeu legitimidade ao se recusar a realizar eleições quando o mandato eleito do presidente expirou. Kiev diz que não pode realizar eleições enquanto estiver sob lei marcial e defendendo seu território contra a Rússia.

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