França vai aumentar número de armas nucleares

Na base de submarinos nucleares de Île Longue, na França, o presidente francês anunciou que seu país aumentará o número de ogivas nucleares de seu arsenal. Emmanuel Macron não disse o número exato desse aumento, mas considerou ser uma ação “indispensável” para manter o que definiu como “capacidade de dissuasão contra um adversário que possa cogitar um ataque contra interesses vitais”.

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Atualmente, a França tem, em média, 290 ogivas nucleares, ficando atrás apenas da Rússia (5.459), Estados Unidos (5.177) e China (600), segundo aponta o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), num levantamento feito em janeiro de 2025.

“Pra ser livre, portanto, é preciso ser temido. E para ser temido, preciso ser poderoso”

O país, que já é a quarta potência nuclear, estará, segundo Macron, em cooperação com oito países da Europa nas investidas militares. Ele citou Grã-Bretanha, Alemanha, Polônia, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca.

Esses países poderão receber forças aéreas estratégicas da França, que poderão ser acionadas em qualquer parte da Europa – Foto: EFE/LA PATRIA

“Se tivéssemos que usar nosso arsenal, nenhum Estado, por mais poderoso que fosse, conseguiria se proteger, e nenhum Estado, por mais vasto que fosse, se recuperaria”, afirmou o presidente, que logo em seguida ressaltou que a França não deseja entrar em uma corrida armamentista.

Sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte, Emmanuel Macron afirmou que “é um esforço separado, que tem seu próprio valor e é perfeitamente complementar ao da OTAN”. Ele ainda afirmou que essa modernização nuclear francesa não começou agora, mas sim com sua nova geração de submarinos de mísseis, que estão atualmente em construção nas estaleiros da base naval de Cherbourg, pequena cidade na região administrativa da Normandia. A previsão é que o primeiro, chamado de “O Invencível”, seja lançado em dez anos.

Além disso, a França está trabalhando no M51.4, seu novo míssil e, ainda este ano, lançará o programa para um míssil estratégico hipersônico que equipará caças em terra e em seu porta-aviões, também a partir da próxima década.

Na segunda-feira, Emmanuel Macron discursou em frente ao submarino nuclear “Le Téméraire” (O Ousado), na base de Île Longue. Foto: Reprodução - Yoan Valat
Na segunda-feira (02), Emmanuel Macron discursou em frente ao submarino nuclear “Le Téméraire” (O Ousado), na base de Île Longue. Foto: Reprodução/Yoan Valat


O discurso de Emmanuel Macron foi feito com o plano de fundo sendo um submarino nuclear e com a presença de militares, num tom de fortalecimento da estratégia bélica diante das fortes tensões entre o continente europeu e o presidente estadunidense, Donald Trump. Macron considerou que os interesses vitais de seu país “não terminam na fronteira” e incluem toda a Europa.

Além do chefe de Estado francês, outras lideranças europeias, como o chanceler alemão Friedrich Merz, já demonstraram que estão se mobilizando para depender cada vez menos do chamado guarda-chuva nuclear dos EUA, uma espécie de garantia de que a superpotência americana proteja a Europa, especialmente os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em caso de ameaças.

Autor

  • Vinicius Amorim

    Vinicius Amorim é jornalista em formação e atualmente atua na área de comunicação institucional da Assembleia Legislativa de São Paulo, onde desenvolve estratégias de branding político, assessoria de imprensa e posicionamento público. Com passagem por projetos de comunicação interna, employer branding e campanhas digitais, traz um olhar apurado para os movimentos da política e da geopolítica, interesse que surgiu a partir da vivência e atuação no ambiente político da Alesp.

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