A polêmica em torno do caso Jeffrey Epstein voltou a ganhar força no final de 2025, após a remoção temporária de pelo menos 16 fotos dos arquivos oficiais do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Entre as imagens estavam registros de Donald Trump ao lado de Epstein, o financista condenado por crimes sexuais. A exclusão levantou suspeitas de tentativa de proteção ao presidente, mas autoridades americanas negaram qualquer envolvimento da Casa Branca.
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O procurador-geral adjunto Todd Blanche declarou que “não tem nada a ver com o presidente Trump. Já foram publicadas dezenas de fotos do presidente Trump com o senhor Epstein”. Segundo Blanche, a retirada das imagens ocorreu por motivos técnicos e de revisão interna, e todas foram republicadas posteriormente.
Apesar da explicação oficial, a medida gerou críticas de parlamentares democratas, que divulgaram um novo conjunto de fotos provenientes da propriedade de Epstein. Entre elas, aparecem não apenas Trump, mas também Bill Clinton, o ex-assessor de Trump Steve Bannon, o ex-secretário do Tesouro de Clinton Larry Summers, o cineasta Woody Allen e o ex-príncipe britânico Andrew Mountbatten-Windsor.
O peso da narrativa em 2026
O episódio ocorre em um momento delicado: 2026 será um ano de eleições legislativas nos EUA, e qualquer percepção de manipulação de arquivos oficiais pode ter impacto direto na confiança pública. Especialistas em transparência governamental alertam que a remoção temporária de documentos sensíveis, mesmo que por motivos técnicos, alimenta teorias de encobrimento e mina a credibilidade das instituições.
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O jornalista investigativo Alan Feuer, do The New York Times, afirmou que “a retirada de documentos sensíveis, mesmo que temporária, mina a confiança pública e alimenta teorias de encobrimento”. Já o analista político David Enrich destacou que “a divulgação parcial dos arquivos apenas aumenta a pressão sobre o governo para liberar todo o material sem restrições”.
Relação de Trump com Epstein
Documentos recentes revelaram que Trump teria voado pelo menos oito vezes no jato particular de Epstein durante os anos 1990. Em um dos registros, ele aparece apenas com Epstein e uma jovem de 20 anos. Esses dados, divulgados por engano e rapidamente removidos, reacenderam o debate sobre a extensão da relação entre Trump e o financista.
Embora o Departamento de Justiça insista que não houve manipulação política, críticos afirmam que o episódio reforça a percepção de que o governo tenta minimizar a ligação de Trump com Epstein. A imprensa americana destacou que intimações já haviam sido enviadas para Mar-a-Lago em 2021, pedindo registros relacionados ao caso.
Impacto na confiança pública
Para a professora Kathleen Clark, especialista em ética governamental da Universidade de Washington, “quando arquivos públicos desaparecem, mesmo que temporariamente, a suspeita é inevitável. Isso corrói a confiança da população e fortalece a ideia de que há interesses ocultos em jogo”.
O cientista político Norman Ornstein, do American Enterprise Institute, acrescenta que “em um ambiente polarizado, qualquer falha de transparência é rapidamente explorada por adversários políticos e pode se tornar arma eleitoral”.









