A Justiça italiana iniciou, nesta terça-feira (10), uma nova audiência dentro do processo que decidirá sobre a extradição da ex-deputada brasileira Carla Zambelli (PL-SP).
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A audiência havia sido adiada após a defesa de Zambelli solicitar a troca dos juízes do caso, o que atrasou a análise do pedido de extradição. Na nova sessão, nesta terça, o tribunal deve dizer se aceita ou rejeita a contestação. A audiência ocorre no Tribunal de Apelações de Roma.
Adiamentos
Foi a quarta vez que a audiência foi adiada. Na primeira delas, no final de novembro, a defesa de Zambelli aderiu a uma greve de advogados em Roma e, na segunda, em dezembro, seus advogados apresentaram novos documentos à corte.
O Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou em dezembro a cassação do mandato de Zambelli, revogando decisão contrária da Câmara dos Deputados. Três dias depois, a ex-deputada entregou uma carta de renúncia à Casa.
Histórico de Zambelli
No Brasil, Zambelli foi condenada duas vezes pelo STF. Na primeira ação, recebeu pena de 10 anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto.
Ele afirmou ter sido contratado pela ex-deputada para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Após essa condenação, Zambelli deixou o país e acabou presa na Itália em operação conjunta da Polícia Federal com autoridades locais.
Na segunda condenação, o STF fixou pena de cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, com perda do mandato após o trânsito em julgado.
Carla se envolveu em uma confusão no dia das eleições de 2022. Em vídeos divulgados nas redes sociais e em poder da Polícia Civil, a então parlamentar aparece empunhado uma pistola enquanto persegue um homem, que em seguida é agredido por outras pessoas.
Um tiro é disparado pelo grupo do qual a deputada fazia parte. A alegação de Zambelli é de ter sido agredida.
Risco de fuga
Considerada foragida da Justiça Brasileira, ex-deputada, que tem cidadania italiana, deixou o Brasil em maio de 2025.
Após a prisão, Zambelli disse que quer ser julgada no país europeu e que provaria que não tem envolvimento na invasão no sistema do CNJ. Contudo, a Justiça italiana decidiu mantê-la presa durante o julgamento, por entender que há risco de fuga.
Os defensores da ex-deputada mantêm a tese de que Zambelli sofre uma perseguição política e judicial no Brasil. Embora o plenário da Câmara dos Deputados tenha decidido manter o mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), a Primeira Truma do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a decisão da Câmara, alegando que é inconstitucional.
Em 3 de junho de 2025, a deputada anunciou que havia deixado o Brasil. A princípio, ela disse que buscava tratamento médico, sem especificar onde estava. Na sequência, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República, Moraes decretou sua prisão preventiva.
Após ter sido levada à penitenciária feminina de Rebibbia, na Itália, a defesa de Zambelli pediu à Justiça italiana que ela aguardasse em liberdade ou prisão domiciliar. Porém, a Corte rejeitou este pedido, apontando “fortes indícios” de risco de fuga da então deputada.
Colmeia e problemas de saúde
A documentação brasileira informa que, caso seja extraditada, a ex-deputada ficará presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, e dá detalhes sobre as condições de detenção.
Durante a primeira audiência em 4 de dezembro, a defesa de Zambelli apresentou diversos argumentos para que ela não seja extraditada. Um deles é sobre a situação carcerária para o eventual cumprimento da pena no Brasil.
Foi então que a Justiça italiana suspendeu o julgamento para esperar respostas sobre as condições penitenciárias brasileiras.
Alexandre de Moraes respondeu, então, com um documento de 11 páginas, com informações e imagens, explicando onde são alojadas as detentas da Colmeia.
Também foi informado que nunca houve rebelião nesta prisão, que as presas fazem cursos técnicos e recebem atendimento médico, respeitando padrões de salubridade, segurança e assistência.









