A Câmara dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira (3) uma série de leis orçamentárias que estavam pendentes, encerrando o segundo “shutdown” do atual governo de Donald Trump.
O “shutdown” acontece quando o Congresso dos Estados Unidos não consegue aprovar um orçamento, o que deflagra uma paralisação automática de serviços federais no país.
A questão da vez
O governo federal dos Estados Unidos havia paralisado no último sábado (31), apenas três meses após o mais longo da história do país, que aconteceu em outubro e novembro de 2025.
O “shutdown” nos EUA funciona da seguinte forma: serviços públicos do governo dos Estados Unidos, como o controle aéreo e o pagamento de benefícios, podem ser interrompidos. Serviços públicos são colocados em licença, enquanto outros, que trabalham em serviços essenciais, podem ter os salários suspensos. A remuneração será paga de forma retroativa quando o orçamento for normalizado.
Desta vez, o cerne do problema foi uma desavença entre a gestão Trump e os democratas sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), que financia o ICE, a agência federal de imigração dos Estados Unidos.
Essa desavença surgiu após as mortes a tiros de dois manifestantes durante as operações anti-imigração do governo no estado de Minnesota.
Os democratas exigiam que o orçamento do departamento fosse bloqueado, em desacordo com as ações truculentas do ICE.
Analistas já projetavam na semana passada que este “shutdown” seria breve e teria um impacto mínimo, visto que já havia um acordo em vista aprovado pelo Senado, e pendente de aprovação pela Câmara.
A oposição aceitou aprovar cinco dos seis projetos do texto orçamentário, enquanto a parte correspondente ao DHS será objeto de novas negociações nas próximas duas semanas.
O embate envolvendo o ICE
Na semana passada, o texto parecia seguir para a aprovação antes da data limite de 31 de janeiro, mas os acontecimentos de sábado em Minneapolis modificaram o contexto político.
A morte de Alex Pretti, bem como a de Renee Good dias antes, por disparos de agentes federais em Minneapolis, provocou um movimento de indignação no seio da classe política.
O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, enumerou na sexta-feira 30 as demandas democratas, afirmando querer “frear o ICE e pôr fim à violência”.
Para isso, o legislador exigiu medidas como proibir o uso de balaclavas pelos agentes.
“Chega de polícia secreta”, afirmou.
Devido às normas no Senado, eram necessários 60 votos para 100 para aprovar um projeto orçamentário.
Os republicanos têm maioria na Casa, mas precisavam do apoio de vários membros da oposição para aprovar o orçamento.
Embora o “shutdown” tenha entrado em vigor, é provável que não se repita o que ocorreu no ano passado, quando os Estados Unidos vivenciaram o fechamento governamental mais longo de sua história.
Republicanos e democratas batalharam durante 43 dias por disputas sobre os subsídios aos seguros de saúde.








