O presidente Javier Milei protagonizou um pronunciamento marcado por confrontos verbais, defesa do programa ultraliberal e negação de acusações de corrupção que abalaram o governo em 2025. A fala ocorreu durante a abertura da 144ª legislatura no Congresso Nacional, em Buenos Aires, e durou aproximadamente uma hora e quarenta minutos.
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Em diversos momentos, Milei interrompeu a exposição de resultados econômicos para responder a parlamentares oposicionistas, especialmente ligados ao kirchnerismo. O presidente acusou o grupo de ser responsável pelo agravamento da pobreza no país e afirmou que seus adversários políticos representam “interesses contrários aos argentinos”.
Entre as declarações mais contundentes, o chefe do Executivo classificou membros da oposição como “ladrões” e “delinquentes”, intensificando um clima de tensão dentro do plenário. O discurso evidenciou a estratégia de polarização política que tem marcado sua gestão desde a campanha eleitoral.
Durante o pronunciamento, Milei citou diretamente a ex-presidente Cristina Kirchner, mencionando sua condenação judicial por corrupção. A referência reforçou o embate simbólico entre o atual governo e a principal liderança histórica do kirchnerismo, mantendo viva uma divisão política que estrutura o cenário institucional argentino contemporâneo.
O presidente utilizou o episódio como argumento para sustentar que sua administração combate práticas que, segundo ele, caracterizaram governos anteriores.
Outro eixo central do discurso foi a rejeição enfática das acusações de corrupção divulgadas em 2025, que envolveram integrantes da alta cúpula governamental, incluindo familiares do presidente. Milei classificou as denúncias como fabricadas e acusou adversários políticos de manipulação narrativa.
Segundo ele, os áudios divulgados à época, que sugeririam cobrança de propinas, não teriam validade jurídica nem factual. O presidente afirmou que as denúncias fazem parte de uma estratégia para desestabilizar seu projeto político e econômico.
O discurso também incluiu uma defesa explícita do modelo de Estado mínimo, base programática de sua administração. Ao responder a críticas que o associam ao fascismo, Milei rejeitou o rótulo e apresentou sua interpretação histórica da ideologia, argumentando que o fascismo estaria vinculado ao intervencionismo estatal, posição que, segundo ele, caracterizaria seus opositores.
A fala reforçou a narrativa de que seu governo representa uma ruptura estrutural com o modelo econômico anterior, centrado em maior presença estatal.
A sessão evidenciou o aprofundamento da divisão política na Argentina, com trocas de acusações e manifestações simultâneas de apoio e protesto dentro do plenário. Analistas apontam que o tom confrontador pode consolidar a base política do presidente, mas também ampliar resistências institucionais no Congresso.
O pronunciamento reforça um cenário de forte disputa narrativa sobre economia, papel do Estado e legitimidade política, elementos que devem continuar a definir o debate público argentino ao longo do ano legislativo.









