A operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro em Caracas, no início de janeiro de 2026, marcou o primeiro grande movimento da nova política externa do presidente Donald Trump. Analistas apontam que a ação contra a Venezuela não deve ser vista como isolada, mas como parte de uma estratégia mais ampla de reafirmação da hegemonia americana no hemisfério.
Leia mais: Três etapas, um objetivo: como os Estados Unidos planejam redesenhar poder na Venezuela
De acordo com reportagens publicadas por veículos como G1, Estadão e Poder360, países como Cuba e Nicarágua aparecem como próximos alvos potenciais, devido às suas ligações históricas com regimes autoritários e à crescente influência de Rússia e China na região. O México, por sua vez, pode enfrentar maior pressão em temas ligados à imigração e ao narcotráfico, áreas centrais na agenda de Trump.
A nova Estratégia de Segurança Nacional, divulgada em dezembro de 2025, reforça a intenção de conter a presença de potências externas no continente e endurecer medidas contra governos considerados hostis. Para críticos, a postura pode gerar instabilidade regional e provocar reações da ONU e da União Europeia, que já manifestaram preocupação com a intervenção na Venezuela.
Confira “Filhos do Silêncio” de Andrea dos Santos
“A Doutrina Monroe está sendo reinterpretada no século XXI. O recado é claro: a América Latina volta a ser prioridade estratégica para Washington”, afirmou o cientista político Javier Morales em entrevista ao Estadão.
Além de Cuba e Nicarágua, Colômbia e até o Irã foram citados em análises como possíveis pontos de atenção da Casa Branca. A Colômbia, pela instabilidade política e presença de grupos armados; o Irã, pela influência crescente em países latino-americanos.
Enquanto isso, governos da região observam com cautela. O Brasil, embora não esteja diretamente no radar imediato, pode ser pressionado a alinhar-se mais claramente com os EUA em questões regionais.
Com a operação na Venezuela, Trump sinaliza que sua política externa será marcada por ações rápidas e de alto impacto, recolocando a América Latina no centro das disputas geopolíticas globais.









