Há mais de 20 dias, o Irã tem sido palco de diversas manifestações que pedem o fim do regime dos aiatolás, que estão no poder desde 1979 no país.
As manifestações, segundo a imprensa internacional, ocorrem devido à situação econômica do país. Elas têm como reivindicação reformas políticas e mais liberdade à população. Além disso, existem fortes críticas contra o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã.
O governo iraniano reagiu aos protestos. No dia 08 de janeiro, por exemplo, restringiu o acesso à internet, o que corrobora para a imprecisão do número real de fatalidades. Essas fatalidades têm ocorrido em virtude da repressão violenta às manifestações de milhares de iranianos reunidos nas ruas.
No último sábado (17), o aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do Irã, reconheceu publicamente que milhares de iranianos morreram desde o início da onda de protestos.
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No último domingo (18), o jornal britânico The Sunday Times foi responsável por fornecer um relatório que impactou de forma massiva o mundo. Segundo o jornal, mais de 16,5 mil pessoas podem ter morrido durante as manifestações no Irã.
O jornal afirmou ainda que o número de mortos pode ter chegado a 18 mil pessoas. Já o número de feridos é estimado entre 330 mil a 360 mil pessoas.
Os dados, segundo a publicação, têm como base relatos de profissionais de saúde que atuam diretamente no atendimento às vítimas em diferentes regiões do país. O relatório contempla situações descritas em oito grandes hospitais oftalmológicos e 16 prontos-socorros em todo país.
O documento ressalta que muitos dos manifestantes sofreram lesões oculares devido às repressões, sendo que muitos deles teriam perdido um olho durante os confrontos.
O jornal The Sunday Times destacou também a precariedade dos hospitais no atendimento às vítimas, como a escassez de bolsas de sangue, o que teria contribuído para o aumento no número de mortes.
Como o acesso às informações é restrito, os números apresentados contrastam com estimativas de organizações independentes. Por exemplo, a HRANA, agência ligada a ativistas de direitos humanos com sede nos Estados Unidos, contabilizou mais de 3 mil mortos. Já uma autoridade iraniana afirmou à agência Reuters que o total de vítimas fatais supera 5 mil pessoas.









