Traficante que vendeu dose que matou estrela de ‘Friends’ pode ser condenada a 15 anos de prisão

A morte de Matthew Perry, eternizado como o sarcástico e adorável Chandler Bing em Friends, volta ao centro das atenções nesta quarta-feira (8), com a sentença de uma das figuras-chave no caso que chocou fãs ao redor do mundo.

Jasveen Sangha, apelidada de “Rainha da cetamina”, deve ouvir no tribunal o desfecho de uma história marcada por excessos, dependência e uma cadeia de decisões que terminou de forma trágica. Aos 42 anos, ela se declarou culpada por vender a dose da droga que levou à morte do ator, em outubro de 2023, e pode ser condenada a até 15 anos de prisão embora a pena máxima prevista chegue a 65.

A acusação não poupa palavras ao descrever sua atuação. Promotores federais apontam para um esquema de tráfico que ia além de um episódio isolado: Sangha teria distribuído drogas como cetamina e metanfetamina diretamente de sua casa, em North Hollywood, desde 2019. Mesmo após mortes relacionadas às substâncias que vendia, ela continuou operando. Para a Justiça, não se trata apenas de negligência, mas de uma escolha deliberada, lucro acima de vidas.

No centro dessa história está um homem que, por anos, travou uma batalha pública contra a dependência química. Perry fazia uso legal de cetamina como parte de um tratamento para depressão, mas, após ter o fornecimento interrompido por médicos, passou a buscar a substância fora dos protocolos. Foi nesse caminho que encontrou uma rede disposta a atender sua demanda, sem limites, sem controle.

Ao todo, cinco pessoas foram acusadas de envolvimento. Entre elas, médicos, um intermediário e até o assistente pessoal do ator, que chegou a aplicar injeções da droga no próprio Perry no dia de sua morte. Para o juiz responsável pelo caso, ainda que nem todos tenham fornecido a dose fatal, houve uma sequência de ações que o colocou “no caminho da morte”.

A defesa de Sangha tenta construir outra narrativa. Seus advogados destacam que ela não possui antecedentes criminais, participou de programas de reabilitação enquanto esteve presa e mantém sobriedade há dois anos. Argumentam que há sinais concretos de mudança e pedem que a pena seja reduzida ao tempo já cumprido.

Do outro lado, a dor da família ecoa como um contraponto impossível de ignorar. Em uma declaração contundente apresentada ao tribunal, a madrasta do ator, Debbie Perry, descreveu um luto sem alívio, sem retorno, sem luz. Para ela, a única resposta possível é a punição máxima, não como vingança, mas como forma de evitar que outras famílias passem pelo mesmo.

Antes da sentença, Sangha pediu desculpas. Disse não haver justificativa para o que fez e reconheceu o sofrimento causado, especialmente à família de Perry. Ainda assim, o peso de suas ações será medido agora pela Justiça.

Mais do que um caso criminal, o desfecho expõe as camadas de uma crise maior: a interseção entre saúde mental, dependência e o mercado ilegal de drogas, um território onde fragilidades humanas frequentemente encontram exploração em vez de cuidado.

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