Morreu nesta quarta-feira (14), aos 89 anos, Vera Valdez, considerada a primeira top model brasileira e um dos nomes mais emblemáticos da história da moda no país.
Em um período em que o mercado ainda era incipiente, ela ajudou a profissionalizar a carreira de modelo e a construir uma identidade estética própria para a moda nacional.
Vera Valdez ganhou projeção ao estampar campanhas, editoriais e desfiles em uma época em que a figura da modelo ainda não era reconhecida como profissão.
Sua postura, elegância e disciplina contribuíram para elevar o padrão do trabalho nas passarelas e diante das câmeras, abrindo caminho para que outras mulheres pudessem ocupar esse espaço com mais reconhecimento e respeito.
Ao longo da carreira, tornou-se símbolo de sofisticação e longevidade, mantendo-se ativa e admirada mesmo após o auge das passarelas.
Sua imagem ajudou a consolidar um ideal de beleza que dialogava com o tempo, a maturidade e a presença, fugindo de padrões engessados e ampliando as possibilidades de representação feminina na moda.
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Além da atuação como modelo, Vera Valdez também construiu uma trajetória como atriz, levando para o teatro, o cinema e a televisão a mesma força estética que marcou sua carreira na moda. Sua experiência corporal e expressiva contribuiu para performances contidas e intensas, especialmente em papéis que exigiam densidade emocional.
Como atriz, Vera se destacou por representar mulheres complexas e maduras, tornando-se referência em um campo ainda marcado pela invisibilização de artistas mais velhas. Sua presença cênica reafirmou a importância da diversidade etária nas artes e ampliou o debate sobre longevidade artística no Brasil.
A morte de Vera Valdez representa a despedida de uma figura pioneira da cultura brasileira. Seu legado permanece vivo tanto na história da moda quanto nas artes cênicas, como símbolo de elegância, resistência e ruptura de padrões.









