Ponte Preta precisa de R$ 5 milhões para sair da crise financeira e derrubar transfer ban

A crise financeira da Ponte Preta ganhou contornos ainda mais preocupantes nas primeiras semanas de 2026 e já reflete diretamente no desempenho esportivo da equipe. Entre salários atrasados, transfer ban, bloqueios judiciais e a saída de jogadores importantes, a Macaca atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente.

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Dentro de campo, os números evidenciam o caos fora dele. Em três jogos disputados no Campeonato Paulista, a Ponte Preta acumula três derrotas, nenhum gol marcado e ocupa a lanterna da competição, restando apenas cinco rodadas para o encerramento da primeira fase. No entanto, o cenário é ainda mais grave nos bastidores do Estádio Moisés Lucarelli.

Valor necessário para aliviar a crise da Ponte Preta

De acordo com os membros da diretoria, o clube precisa de um aporte imediato de cerca de R$5 milhões para aliviar o momento mais crítico. O montante seria destinado, principalmente, à quitação de salários atrasados de jogadores e funcionários, além do pagamento das dívidas que resultaram nos dois transfer bans atualmente em vigor.

Somadas, as punições financeiras chegam a aproximadamente R$2,2 milhões. A maior parte refere-se a uma cobrança da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), no valor de R$1,65 milhão, relativa a parcelas em atraso de um acordo firmado anteriormente. Já o segundo bloqueio, imposto pela Fifa, gira em torno de 110 mil dólares (cerca de R$592 mil), ligado ao mecanismo de solidariedade em uma negociação internacional.

Transfer ban impede reforços e afeta elenco

Enquanto não regularizar as pendências, a Ponte Preta está impedida de registrar novos jogadores, o que afeta diretamente o planejamento esportivo. Atualmente, nove atletas contratados ainda não puderam estrear, agravando a situação de um elenco curto e pressionado por resultados.

Após a derrota por 2 a 0 para o Capivariano, no último sábado, o técnico Marcelo Fernandes revelou publicamente o clima de tensão nos bastidores. O treinador admitiu que precisou intervir para evitar novas saídas e destacou a dificuldade em manter o grupo motivado diante da instabilidade financeira.

Bloqueios judiciais, greve e corte de gastos

Entre os principais fatores que aprofundaram a crise estão os bloqueios judiciais das contas do clube, consequência da falta de homologação do Regime Centralizado de Execuções (RCE). Com isso, a Ponte ficou impossibilitada de utilizar receitas próprias, como cotas e patrocínios.

No fim de 2025, o elenco chegou a anunciar uma suspensão das atividades devido aos atrasos salariais, evidenciando o desgaste interno. Diante do cenário de alerta máximo, a nova diretoria, que assumiu para o período 2026–2029, implementou um corte de 30% nos gastos e iniciou um processo de reestruturação financeira.

Crise fora de campo contrasta com acesso recente

O momento atual contrasta com a recente conquista do acesso na Série C, obtida mesmo em meio a dificuldades administrativas. No entanto, sem um aporte financeiro imediato, a Ponte Preta corre o risco de prolongar a crise e comprometer toda a temporada.

Até a publicação desta reportagem, os dois transfer bans permaneciam ativos. Para voltar a operar normalmente, o clube precisa quitar integralmente as dívidas ou firmar novos acordos, condição essencial para recuperar a estabilidade esportiva e administrativa.

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