O Palmeiras fez o que precisava, venceu com autoridade, mas acabou ficando só com o “vice do vice”: três pontos na conta, bom desempenho, mas nada de taça. Diante de um Atlético-MG apático e pressionado pela própria torcida, o Verdão cravou 3 a 0 em Belo Horizonte na penúltima rodada do Brasileirão — e viu o Flamengo confirmar o título ao bater o Ceará.
Panorama do campeonato
A vitória deixa o Palmeiras ainda na briga pelo segundo lugar, agora com 73 pontos. O Cruzeiro, com dois jogos a menos, segue na cola com 69. O campeão já está definido e atende pelo nome de Flamengo, com 78.
Do outro lado, o Galo estaciona nos 45 pontos, em 13º, já praticamente livre da zona de rebaixamento, mas também sem chances de alcançar a zona da Libertadores, restando apenas a Sul-Americana no horizonte.
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Um fim melancólico para quem teve o título na mão
A noite também simbolizou o desfecho de uma temporada amarga para o Palmeiras. O time que liderou boa parte do Brasileirão viu o título escorrer pelos dedos na reta final, afundado pelos próprios tropeços justamente quando mais precisava de regularidade. A decepção fica ainda maior somada à perda da Libertadores, criando um roteiro de frustração contínua. No fim, o Flamengo só ultrapassou porque o Verdão abriu caminho e terminou assistindo o rival levantar a taça que parecia encaminhada.
Clima pesado e estádio esvaziado
A Arena MRV viveu uma noite que simboliza bem a temporada frustrante do Atlético. Apenas 13.878 torcedores apareceram o menor público da história do estádio e muitos deles se dividiram entre vaias, xingamentos e protestos. Faixas foram viradas de costas, e cada erro em campo era recebido com uma impaciência quase coreografada.
O jogo: falhas do Galo e eficiência do Verdão

O Palmeiras entrou ligado no 220V, enquanto o Atlético parecia preso no modo avião. Com menos de um minuto, o Verdão até marcou, mas o impedimento salvou o Galo momentaneamente. O aviso, porém, estava dado.
Aos oito minutos, Alonso recuou mal, Vitor Roque finalizou em cima de Everson, e Flaco López aproveitou a sobra para abrir o placar. A partir dali, o Atlético até teve lampejos uma bola parada de Scarpa, uma bicicleta de Rony, mas era o Palmeiras quem controlava.
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E, em novo erro defensivo, Arana perdeu a bola na saída, e Allan não perdoou: 2 a 0. Tudo isso antes dos 30 minutos.
A tensão aumentou aos 43, quando Piquerez foi expulso após revisão do VAR por entrada dura em Saravia. A decisão deixou Abel Ferreira completamente indignado na beira do campo. Ainda deu tempo de Bernard acertar a trave, mas nada de gol.
Segundo tempo: pressão inútil e castigo no final
Com um jogador a mais, o Atlético tentou reagir. Dudu, Arana e até Hulk, que começou no banco, arriscaram. O problema? Carlos Miguel estava em noite inspirada e virou um paredão. Scarpa ainda devolveu o “beijo na trave”, e o Galo chegou a balançar as redes com Rony aos 29, mas o VAR anulou por toque de mão.
E, como castigo costuma chegar pontual, o Palmeiras fechou a conta: Luighi marcou o terceiro aos 36 e, minutos depois, ainda colocou mais uma bola na trave. O Atlético respondeu com Rony no finzinho, também no poste, mas nada que mudasse o roteiro de frustração mineira.
Resumo da ópera
O Palmeiras foi superior do início ao fim, venceu com personalidade e segurou sua posição na parte alta da tabela. O Atlético, por sua vez, viveu mais uma noite de vaia, trave e irritação uma síntese de uma temporada que não engrenou.
Agora, resta à última rodada definir só o que ainda está ao alcance: o lugar do Verdão no pódio e o fechamento melancólico de um ano turbulento para o Galo.









