O esquema de venda irregular de ingressos para camarotes em partidas do São Paulo Futebol Clube segue ganhando novos capítulos. Desta vez, o nome citado é o do presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres.
A comercialização acontecia por meio de Lucca Borzani, que se apresenta como sobrinho de Olten.
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“Olten Ayres é meu tio, nem posso dar golpe, nunca dei golpe em ninguém, se não eu que me queimo também. O Olten é presidente do Conselho Deliberativo, ele é minha pessoa de confiança, da minha família, e eu sou pessoa de confiança dele, ele me dispõe os ingressos. E sobre dar os ingressos pessoalmente, mano, só daria os ingressos pessoalmente se me encontrassem no meu camarote.
Eu não vou sair rodando o Morumbi, que é gigantesco, pra caçar alguém pra dar ingresso, desculpa. Ou me encontra no camarote, já que tem esse receio aí de ser golpe, enfim, até entendo, mas não é. Se não, eu falo com outra pessoa aqui, porque não vou sair procurando ninguém pra dar ingresso físico, sendo que dá pra, em dois cliques, mandar digital”, diz Lucca em áudio divulgado pelo UOL.
No fim do áudio, Lucca ainda completa: “O preço é aquilo que te falei, não dá pra precisar porque não é um preço fixo, depende muito da demanda e da relevância do jogo, então varia. A comida é de tudo, tem tudo lá: sanduíche, bolo, hot-dog, doces… você pega o que quiser lá, tem de tudo. E bebida só não tem alcoólica, de resto tem refri, sucos, tem tudo”.
De acordo com o ge, o presidente Olten Ayres afirmou ter sido surpreendido pelo conteúdo do áudio. Ele confirmou que cede ingressos de forma recorrente ao pai de Lucca, amigo de infância, mas declarou não ter conhecimento sobre qualquer venda ilegal. O presidente do Conselho Deliberativo também afirmou que irá investigar a situação.
O camarote mencionado por Lucca é destinado exclusivamente a conselheiros e seus convidados. Olten disse ao ge que tem direito a oito ingressos por partida: quatro por integrar o Conselho Deliberativo e outros quatro por fazer parte do Conselho Consultivo. Os ingressos podem ser repassados, mas não podem ser comercializados.
O São Paulo se manifestou após a reportagem do ge entrar em contato.
“O São Paulo Futebol Clube defende que qualquer denúncia de malfeito envolvendo profissionais, sócios ou conselheiros seja apurada rigorosamente pelo Conselho de Ética, independentemente de cargo, parentesco ou posição política.”
Vale lembrar que este não é o primeiro áudio envolvendo supostos esquemas de venda ilegal de ingressos no clube. No fim do ano passado, uma reportagem já havia revelado a atuação de dois dirigentes em situação semelhante.









