O que funcionava na nutrição esportiva há quase dez anos já não faz mais sentido para quem busca desempenho, saúde e constância hoje. Em 2016, o cenário era marcado por dietas rígidas, fórmulas prontas e pouca individualização. Uma década depois, a ciência avançou, o perfil dos praticantes de atividade física mudou e o entendimento sobre performance se tornou mais amplo e realista.
Para a pesquisadora, professora universitária e nutricionista Tayanne Malafaia, o maior aprendizado desse período foi abandonar o radicalismo. Segundo ela, os melhores resultados não vêm de extremos, mas da constância bem orientada. A especialista lista seis lições que ajudam a entender como a nutrição esportiva evoluiu desde 2016.
A primeira delas é que comer bem nunca significou comer pouco. Na década passada, muitos atletas, especialmente amadores, acreditavam que reduzir calorias ao máximo era o caminho para melhorar o rendimento e a estética. Hoje, a ciência mostra o oposto. “Comer pouco demais compromete força, recuperação, imunidade e até o humor. Performance exige energia disponível”, explica Tayanne.
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Outra mudança importante está na forma de encarar as dietas. Planos engessados, refeições repetitivas e listas rígidas de alimentos deram lugar a estratégias mais flexíveis. “A melhor dieta é aquela que o atleta consegue sustentar. Não adianta ser perfeita no papel se não cabe na rotina real. Adesão é tão importante quanto o cálculo nutricional”, afirma.
Resultados consistentes não vêm de modismos. Dietas da vez, cortes extremos e suplementos milagrosos marcaram o passado, mas perderam espaço. “O básico bem feito por muito tempo é o que realmente funciona. Não existem atalhos”, reforça.
O olhar sobre performance também se ampliou. Se antes o foco estava quase exclusivamente no prato, hoje fatores como sono, estresse, hidratação e recuperação muscular fazem parte da estratégia nutricional. De acordo com Malafaia, ignorar esses pontos limita qualquer resultado, mesmo com uma boa alimentação.
A individualização, que antes era vista como diferencial, tornou-se regra. Copiar a dieta de colegas de treino ou de atletas profissionais deixou de fazer sentido. “Cada corpo responde de um jeito. O que funciona para um pode prejudicar outro. Nutrição esportiva hoje é personalização”, destaca Tayanne.
Por fim, a estética deixou de ser o único objetivo. A pergunta principal já não é mais “o que comer para secar?”, mas sim “o que comer para render melhor, evitar lesões e treinar por mais tempo”. O foco saiu do corpo imediato e passou para os benefícios de longo prazo de uma alimentação adequada.









