Entre o céu nublado e a brisa leve que sopra do mar em Santos, Marcelo Fernandes, de 54 anos, finalmente encontrou o descanso merecido após uma temporada de emoções extremas. Poucos meses separaram o técnico do sentimento de frustração pela demissão no Guarani até o auge da glória com o título inédito da Série C do Campeonato Brasileiro pela Ponte Preta.
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“É um roteiro de filme”, repete Marcelo, com um sorriso sereno, enquanto encara o horizonte do litoral paulista.
Da frustração à consagração
A trajetória do treinador em 2025 teve todos os elementos de um drama esportivo: despedida dolorosa do Santos após 17 anos, passagem turbulenta pelo Guarani e, por fim, a consagração histórica com a Ponte Preta.
Marcelo havia deixado o Santos no início do ano, após participar de um rebaixamento que marcou o clube. Em abril, recebeu o convite para comandar o Guarani, que vivia um início desastroso na Série C — sem pontos após três rodadas. Em pouco tempo, ele conseguiu reorganizar a equipe, somando 16 pontos e chegando perto do G-8 (grupo dos oito melhores colocados).
Ainda assim, a diretoria optou por interromper o trabalho.
“Foram 87 dias intensos, com quatro vitórias, quatro empates e três derrotas. Saí com a sensação de que poderíamos ir mais longe”, lembra o técnico.

O reencontro com a vitória
Dezessete dias após a demissão, o telefone tocou novamente. Do outro lado, a Ponte Preta, rival histórica do Guarani, procurava um substituto para Alberto Valentim. A recomendação veio do presidente Marco Antonio Eberlin, e o convite foi oficializado pelo então dirigente João Brigatti, ex-companheiro de Marcelo nos tempos de jogador.
“Todos remaram na mesma direção. Foi um grupo comprometido, que acreditou até o fim”, destaca o treinador.
E o enredo tomou um rumo improvável. Em apenas 11 jogos à frente da Macaca, Marcelo conquistou oito vitórias, dois empates e apenas uma derrota — justamente quando o acesso já estava garantido. O desfecho veio em grande estilo: vitória por 2 a 0 sobre o Londrina e o primeiro título nacional da Ponte Preta em 125 anos de história.
O sabor da glória
Em meio à celebração no gramado do Moisés Lucarelli, Marcelo se emocionou ao ver o estádio tomado por uma torcida em êxtase.
“A ficha ainda não caiu. Ver o sorriso do torcedor e a alegria de todos é gratificante demais. A Ponte merecia esse momento.”
O técnico, que já havia sido campeão paulista pelo Santos em 2015 e participou de conquistas como a Libertadores de 2011 e a Copa do Brasil de 2010 como auxiliar, reconhece que esse título teve um gosto especial.
“Foi o capítulo mais emocionante da minha carreira solo”, resume.
Futuro em aberto
De volta a Santos, Marcelo diz que pretende aproveitar o momento para descansar e refletir sobre os próximos passos.
“Estou feliz na Ponte, mas com os pés no chão. Agora é hora de aproveitar a família, viajar e pensar com calma no futuro”, afirmou.
Após um ano de reviravoltas, Marcelo Fernandes fecha 2025 com o nome gravado na história da Ponte Preta e uma certeza: o futebol, assim como o cinema, é feito de enredos imprevisíveis e finais inesquecíveis.









