Lando Norris viveu neste domingo um dos momentos mais marcantes da história recente da Fórmula 1. Ao cruzar a linha de chegada em terceiro lugar no GP de Abu Dhabi, o britânico confirmou o primeiro título mundial da carreira, superando Max Verstappen por apenas dois pontos após uma temporada eletrizante.
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Visivelmente emocionado ainda no parque fechado, Norris tentou manter a compostura diante das câmeras, mas desabou ao lembrar da trajetória até o topo do automobilismo.
“Oh, meu Deus… Eu não chorava há muito tempo, achei que não fosse chorar, mas chorei. É uma jornada muito longa. Quero agradecer à McLaren, aos meus pais… Eles estiveram comigo desde sempre. Pareço um perdedor falando isso, mas é muita emoção”, disse o piloto, com a voz embargada.
A cena no pódio, com o novo campeão tentando segurar as lágrimas diante da torcida nos Emirados Árabes Unidos, rapidamente viralizou. Ao seu lado, Oscar Piastri e Max Verstappen, seus principais rivais na disputa, o parabenizaram pela conquista histórica.

A conquista de Norris também simboliza o fim de uma era. Desde 2021, Max Verstappen acumulava títulos e recordes, tornando-se uma força quase imbatível. Em 2025, porém, a McLaren, impulsionada por um carro altamente competitivo e extrema consistência, conseguiu desafiar e superar a Red Bull.
No calor do momento, Norris fez questão de exaltar os adversários:
“Agora eu sei um pouco do que o Max sente. Quero parabenizar Max e Oscar, dois competidores incríveis. Foi um prazer lutar com eles este ano. Foi uma temporada longa, difícil, mas conseguimos!”
Foco, pressão e a corrida que decidiu o campeonato
Norris chegou ao GP de Abu Dhabi sabendo que apenas um pódio garantiria o título. A largada não foi perfeita: Piastri o ultrapassou rapidamente, empurrando-o para terceiro. Nas voltas seguintes, Norris precisou lidar com o ritmo forte de Charles Leclerc, que tentou diversas vezes atacar a posição.
E mais: em caso de queda para quarto lugar, caso Verstappen vencesse, Norris veria o título escapar.
Mesmo assim, o britânico manteve a calma:
“Pensei um pouco no título, claro, mas também na corrida. F1 é imprevisível, e eu só respirei nos últimos dois ou três giros. O Max vinha muito forte e o Oscar se aproximando… Eles tornaram tudo mais difícil. Mas estou feliz demais”.
A manobra mais tensa ocorreu quando Norris precisou ultrapassar Yuki Tsunoda, que permaneceu na pista com pneus desgastados e tentou dificultar a vida do britânico. Lando completou a ultrapassagem por fora do traçado, levando os comissários a revisarem a ação.
A punição, porém, veio apenas para o japonês. Norris seguiu ileso.
“Eu nem sabia que estavam investigando. Sabia que minha manobra foi limpa, então continuei focado. Não é todo dia que alguém vive o que eu vivi nesta temporada”.
O campeão do mundo: a trajetória de Lando Norris
Criado em Glastonbury, nascido em Bristol e hoje com 26 anos, Lando Norris já é considerado um dos grandes nomes da nova geração da Fórmula 1. Entrou na McLaren ainda adolescente, em 2017, como parte do programa de jovens pilotos, e estreou na F1 em 2019, tornando-se o inglês mais jovem a disputar uma temporada completa.
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Desde então, colecionou:
- 11 vitórias
- 44 pódios
- um vice-campeonato (2024)
- um título mundial (2025)
Seu histórico nas categorias de base também impressiona: títulos na Fórmula Renault, Toyota Racing Series e um vice na Fórmula 2.
O título também marca um capítulo emocionante da parceria entre Norris e a escuderia de Woking. Há nove anos ligado ao time, ele testemunhou tanto os períodos difíceis quanto a reestruturação que levou a McLaren novamente ao topo.
“Foram muitos anos de altos e baixos. Sinto que, enfim, pude retribuir tudo o que fizeram por mim. Este campeonato é nosso. Estou orgulhoso de mim, mas muito mais da equipe. Espero que todos na fábrica tenham chorado tanto quanto eu”, declarou, descontraído.
Em 2024, a McLaren já havia conquistado o campeonato de construtores. Em 2025, repetiu o feito e ainda levou o título mundial de pilotos com Norris.
Da base ao estrelato: evolução de um talento nato
Começando no kart aos sete anos, Norris rapidamente chamou atenção nas competições britânicas e europeias. Seu desempenho arrebatador o conduziu, em pouco tempo, às categorias de fórmula e, finalmente, à porta da McLaren, onde testou um carro de F1 pela primeira vez aos 17 anos, no Hungaroring.

A evolução foi constante:
- 2019: estreia na F1
- 2020: primeiro pódio
- 2021: primeira pole e vitória perdida na Rússia sob chuva
- 2023: vice-líder da McLaren em uma temporada de recuperação
- 2024: primeira vitória, em Miami
- 2025: campeão do mundo
Sua parceria com Oscar Piastri, iniciada em 2023, se tornou uma das mais eficientes da atual F1, competitiva dentro das pistas e respeitosa fora delas.
Ao lado da carreira profissional, Norris também mantém um lado midiático forte. É fundador do grupo de e-sports Quadrant, e hoje namora a atriz portuguesa Margarida Corceiro, presença constante nos paddocks da categoria.
Filho de Adam Norris, empresário britânico que fez fortuna no setor financeiro, Lando sempre recebeu incentivo para seguir apaixonado pelas pistas, mas precisou provar sozinho que tinha talento para alcançar o topo.
A vitória de Norris não é apenas um marco pessoal: ela reabre o cenário competitivo da categoria e encerra um ciclo de hegemonia da Red Bull. Com McLaren e Ferrari evoluindo, e com Piastri e Leclerc cada vez mais competitivos, o futuro da F1 promete novas disputas acirradas.
Ao erguer o troféu de campeão mundial sob os fogos em Abu Dhabi, Lando Norris finalmente gravou seu nome entre os grandes do esporte, e viveu, como ele mesmo disse, algo que “pouquíssimos no mundo podem experimentar”.









